Clipping África Ocidental #134

O problema da fome em Gana

15/05/2023

Por Ana Júlia da Silva Rosa

Gana está passando por uma intensa crise econômica nos últimos anos. Nesse cenário, a agricultura e o ramo de alimentos são os setores mais afetados, uma vez que isso pode ser o começo de um ciclo de aumento da fome, desnutrição, baixa na produção de alimentos e redução na frequência escolar. Esses fatores podem trazer consequências negativas para o desenvolvimento do país. 

Ademais, Gana se encontra nessa situação devido a um conjunto de antecedentes, como as consequências econômicas resultantes da pandemia, a desvalorização da moeda nacional, os altos valores que o governo pegou de empréstimo no Banco de Gana e os altos preços da commodities e da energia. Além disso, o país está no processo de uma nova estruturação para sua dívida, já tendo interrompido os pagamentos em dezembro de 2022 após um acordo com o FMI a respeito de um pacote de resgate no valor de US$3 bilhões.

 Nesse sentido, apesar da inflação ao consumidor ter diminuído superficialmente em março, se comparado aos números ainda mais elevados dos últimos 22 anos, não se pode dizer que houve uma melhora na situação. Isso porque as taxas de inflação dos alimentos, bebidas não alcoólicas, cereais e produtos à base de cereais ainda continuam altas. Essa situação também afeta os países vizinhos, pois eles importam produtos de Gana para completar a produção nacional Ou seja, a crise econômica e alimentar de Gana pode passar a significar uma diminuição da segurança alimentar regional.

Como consequência, Gana tem registrado um aumento no número de pessoas que estão passando fome. Tal preocupante cenário pode ser explicado, não somente pelo número de indivíduos desempregados, mas também pela estagnação salarial e pelo aumento nos preços dos alimentos, no imposto sobre valor agregado nas tarifas de água e eletricidade.

Outro fator relevante é que a crise vem prejudicando o programa governamental de merenda escolar, tendo em vista que os responsáveis por fornecer alimentos em algumas regiões têm protestado e ameaçado cortar o abastecimento devido à falta de pagamentos por parte do governo. Logo, a falta da merenda escolar pode fazer com que o número de matrículas diminua e o de alunos desistentes aumente.

Por fim, o futuro do país é imprevisível, pois diferentes especialistas possuem diferentes visões a respeito de quais seriam as ações que o governo deve tomar e se irá tomá-las para poder combater o problema da fome. Além disso, os padrões de chuva são de extrema importância para  que a produção agrícola possa aumentar e a fome diminuir.

Fonte: The New Humanitarian

Crise no Sudão e a tentativa dos mediadores de acabar com o conflito

13/05/2023

Por Julia Araujo de Oliveira

O conflito no Sudão entre duas facções rivais se estende a cada dia e, neste momento, cada lado envia seus reforços para a linha de frente enquanto tenta vencer grupos locais armados que ainda não estão envolvidos e solicita ajuda de apoiadores estrangeiros. Além disso, como já foi visto em conflitos anteriores, é muito provável que não demorará muito para que as facções rivais fiquem com poucas armas e pouco dinheiro, e as comunidades locais se armem para se defenderem. Também, há um risco de que civis se tornem alvos por conta de sua identidade étnica e, então,  o conflito se espalhar por todo o país. 

Dessa forma, não será fácil fazer com que os generais de ambos os lados concordem com o cessar-fogo, tendo em vista que, de um lado, o chefe do exército, Gen Abdel Fattah al-Burhan, vai insistir que ele representa o governo legítimo e irá rotular Gen Mohamed Hamdan Dagalo (Hemedti), como rebelde. Do outro lado, Hemedti, vai demandar status iguais para os dois lados, deixando seu grupo paramilitar, Rapid Support Forces, com o controle de uma parte de Cartum. 

Embora seja um trabalho difícil, diplomatas americanos e sauditas imparciais tentarão negociar com os generais rivais, que enviaram uma equipe de negociação de três pessoas para Jidá, uma cidade na Arábia Saudita. Assim, é necessário que haja consenso internacional a fim de que pressões sejam eficazes. Nesse sentido, a ONU coloca a responsabilidade em seus membros africanos para levantarem a questão do conflito no Conselho de Segurança, o que ainda não fizeram. Mas, a União Africana convocou seu Conselho de Paz e Segurança um dia depois do começo do conflito para exigir um cessar-fogo, contudo, não foi parte do esforço de mediação dos Estados Unidos e a Arábia Saudita. 

Diante disso, enquanto não há uma solução que coloque um ponto final nesse conflito, vários sudaneses estão tentando fugir do país e alegam que a comunidade internacional os abandonou. 

Fonte: BBC

Greve na Guiné Bissau: busca por direitos que o governo tem ignorado 

15/05/2021

Por Lorenna de Oliveira Silva

Yoio João Correia, porta-voz da Frente Social, uma ação que busca integrar sindicatos de profissionais de saúde e educação, acusou o poder executivo da Guiné Bissau de intencionalidade em colocar os setores sociais de educação e saúde em crise com intuito de viabilizar a campanha eleitoral. O representante da Frente Social acredita que os partidos políticos da Guiné não possuem interesse em sanar a crise dos dois setores, pois, segundo ele, na atual campanha eleitoral os candidatos estão comprometendo o dinheiro público com carros de luxo, o que poderia ser  direcionado para ações sociais. 

Além disso, Yoio, afirmou que o governo não possui interesse na resolução dos problemas e em desenvolver um acordo com a Frente Social, pois o poder público tem privilegiado outras questões em detrimento das questões de saúde e educação, priorizando assim, caprichos que produzem resultados negativos na sociedade. 

Desse modo, o sindicalista afirma que será feita uma manifestação pacífica no dia 18 de maio, que é o dia do aniversário da União Nacional dos Trabalhadores da Guiné (UNTG) em conjunto com a Organização Internacional dos Trabalhadores (OIT), com objetivo de advertir o governo acerca do problema alimentar enfrentado pelos trabalhadores oriundo da inflação nos produtos de base, pois o salário mínimo tem sido insuficiente para suprir as necessidades básicas das famílias. 

Yoio afirma que, se o governo não se pronunciar e se dispuser a uma negociação com os sindicatos, eles irão promover greves de três dias, entre 22 e 24 de maio. Segundo ele, têm sido exigidas medidas para melhorias na vida social da população desde 2015, porém estas não têm sido atendidas pelo governo. 

Fonte: O Democrata

Gana e Guiné-Bissau pretendem trabalhar juntos para a reforma no Conselho de Segurança da ONU

15/05/2023

Por Camila Gomes Barroso

O atual presidente de Gana, Nana Addo Dankwa Akufo-Addo, revelou que se encontrou com o chefe de Estado de Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, com a intenção de trabalharem em conjunto e avançarem com projetos de reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, de forma a demonstrar a posição da África perante a ONU.    

Após um encontro entre os dois chefes de Estado, a iniciativa tornou-se pública e culminou na assinatura de um acordo geral de consultas política e diplomática referente à troca de informações sobre áreas de interesse comum dos respectivos países. O documento foi assinado pela ministra de Gana dos Negócios Estrangeiros, Shirley Ayorkor Botchwey, e pela Secretária de Estado da Cooperação Internacional da Guiné-Bissau, Ude Fati.

Nana Addo Dankwa Akufo-Addo explicou, no encontro, que reconheceu o trabalho do presidente Embaló em busca da promoção da paz e desenvolvimento da Guiné-Bissau. Além disso, abordaram a questão da cooperação nas áreas da agricultura, da segurança e, sobretudo, analisaram uma maneira de fortalecer a cooperação bilateral para a promoção do desenvolvimento dos dois países. Tendo em vista as áreas de comércio, agricultura e tecnologias, a cooperação deve ser uma coisa reconhecida no sentido de continuarem a trabalhar juntos para que possa haver a transformação em ambas as partes.

Por fim, Umaro Sissoco Embaló reiterou a inteira disponibilidade de Guiné-Bissau em continuar a trabalhar em conjunto com a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), tanto no plano continental quanto internacional, para defender os interesses comuns na procura da paz e da estabilidade política na região, como também, na defesa da democracia e do estado de direito.

Fonte: O Democrata

Imigração sudanesa ameaça Sahel

16/05/2023

Por Aline Almeida Santos

Os conflitos no Sudão estão levando muitos a fugir do país, contudo essa região africana não é o único lugar que vive uma crise política. Consequentemente, o número de refugiados aumenta, o que põe em perigo a segurança na região do Sahel.

A Organização das Nações Unidas (ONU) alerta para uma possível crise humanitária no deslocamento de países a outros. Segundo dados da organização,  dezenas de milhares de civis fugiram, situação que preocupa os especialistas, já que numa situação dessas é difícil se ater a alguns protocolos de segurança. As autoridades competentes no assunto acreditam que pessoas armadas podem cruzar as fronteiras gerando mais conflitos. 

Henrik Maihack, do Instituto Friedrich Ebert, acredita que os refugiados do Sudão são tantos que podem chegar até Mali e Burkina Faso. O entendido presume que tal situação pode alimentar a crise de duas regiões: Chifre da África e Sahel. 

Volker Perthes, representante especial da ONU, disse à  rede de notícias Deutsche Welle (DW) que os combatentes no Sudão não agem de boa fé, que a bandeira da política não esconde o oportunismo e a ânsia por enriquecimento fácil. 

Diante desse cenário, a ONU teme que a proliferação de armas pequenas que passam na fronteira venha a desencadear uma crise humanitária catastrófica para os países que os recebem. A situação é complexa e delicada, já que não receber os refugiados é também um ato desumano. Assim, a ONU busca conseguir um consenso de paz na região evitando, dessa forma, que as coisas saiam do controle.  

Fonte: All Africa

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