República Democrática do Congo: 600 mil beneficiários de projetos humanitários perdem financiamentos do Banco Mundial
18/05/2023
Por Aline Almeida Santos
US $1 bilhão de financiamento de projetos humanitários na República Democrática do Congo foram suspensos pelo Banco Mundial.
A República Democrática do Congo questionou a decisão do Banco Mundial que, segundo o presidente congolês, Feliz Tshisekedi, ocorreu sem qualquer aviso prévio. A situação é preocupante já que o presidente não sabe o que fazer com os 600 mil beneficiários dos projetos humanitários que dependem desse dinheiro. Esses projetos têm o intuito de evitar a desumanização do indivíduo e, no caso, estamos falando de 600 mil pessoas que vivem desse financiamento.
Albert Zenfack, Diretor de Operações do Banco Mundial, declarou que o presidente congolês dissolveu o “Fundo Social da República Democrática do Congo” que recebia o financiamento e criou uma outra fundação no lugar. Adicionalmente, o diretor disse que o banco não foi avisado da dissolução do fundo e que soube da mudança pela imprensa.
Felix Tshisekedi, no entanto, explicou que a mudança foi necessária devido “à evolução do quadro legal que rege as instituições públicas”. Albert Zenfack, entretanto, acredita que para resolver o problema é preciso acordar medidas transitórias para, assim, continuar a se comprometer com os fundos dos projetos.
O valor do financiamento que o Banco Mundial libera para os projetos corresponde a cerca de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, o que é bastante significativo para o país. Nesse sentido, o não recebimento dessa quantia preocupa já que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) na República Democrática do Congo é baixa (0,479) ficando na posição 179, o que coloca o país numa situação de dependência econômica.
Fonte: CNBC Africa
O legado do do presidente nigeriano Muhammadu Buhari
21/05/23
Por Julia Araujo de Oliveira
Quando Muhammadu Buhari foi eleito presidente da Nigéria, em 2015, contra o incumbente Goodluck Jonathan, havia uma onda de otimismo na crença de que a mudança no país seria possível, visto que o novo presidente prometia combater a insurgência islâmica no nordeste e a corrupção. Contudo, a população ficou desapontada com o desenrolar de seu governo. Em um primeiro momento, foi visto progresso no confronto contra o grupo Boko Haram com a utilização de equipamentos militares advindos dos Estados Unidos, porém os ataques do grupo às comunidades e militares continuaram. Houve uma diminuição do número de casos, mas continuaram a acontecer. Dessa forma, apesar dos ganhos no nordeste contra militantes islâmicos, outros grupos violentos surgiram em outras partes do país sob a supervisão de Buhari.
Além disso, a questão da segurança na Nigéria foi uma questão que levantou preocupações. Segundo a UNICEF, milhares de crianças foram sequestradas entre dezembro de 2020 e setembro de 2021, resultando no aumento da insegurança no país. Nesse período, a quantidade de sequestros de crianças ultrapassou a quantia do sequestro das alunas de Chibok de 2014, o qual foi um evento determinante para a eleição de Buhari. Também, a forma de lidar com o líder separatista Nnamdi Kanu, do grupo Pessoas Indígenas do Biafra (Ipob), foi criticada. Em 2015, Kanu foi preso mas, em 2017, conseguiu fugir. Contudo, ele foi forçado a voltar para a Nigéria em 2021 para o julgamento. Em seguida, o juíz mandou soltá-lo, tendo em vista irregularidades processuais, mas Kanu continua preso, o que levanta questionamentos sobre a expertise do presidente em questões de segurança.
Houve, também, a descoberta de oleodutos quilométricos utilizados para roubar óleo, resultando em questionamentos sobre seu comprometimento em lutar contra a corrupção. A forma de Buhari lidar com a questão econômica também foi criticada e enfrentou desafios. O então presidente tentou mudar a moeda local, o que não trouxe bons resultados e apenas destruiu pequenos negócios. Além disso, houve aumento no desemprego e recorde na inflação. Dessa forma, o presidente Muhammadu Buhari deixará os cidadãos da Nigéria menos seguros, mais pobres e devendo mais, se comparado ao período anterior de seu governo.
Fonte: BBC
Lula: países africanos lusófonos voltarão a ser prioridade para o país
25/05/2023
Por Camila Gomes Barroso
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as relações diplomáticas com os países africanos lusófonos, ou seja, os que a língua oficial é o português, voltaram a ser prioridade na política externa do Brasil. Lula encontrou-se com o primeiro-ministro da República de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, e disse acreditar na cooperação sul-sul (entre países em desenvolvimento) de maneira solidária, “com benefícios mútuos e baseada em experiências compartilhadas”.
Durante o mês de maio, o primeiro-ministro de Cabo Verde confirmou sua presença em um dos maiores eventos tecnológicos do mundo, o chamado Web Summit e, para Lula, isso vai facilitar a comunicação entre os dois países, com o objetivo de que novas áreas de cooperação em setores altamente desenvolvidos em tecnologia ocorra.
Historicamente, Brasil e Cabo Verde estabelecem relações diplomáticas desde 1975. A partir da assinatura do Acordo de Cooperação Técnica, em 1977, o país africano tem sido beneficiado por projetos desenvolvidos em parceria com empresas brasileiras, em setores como educação, saúde, agropecuária e agências reguladoras.
Cabo Verde tem aproveitado as oportunidades oferecidas pelo governo do Brasil de bolsas em programas de graduação e pós-graduação, enviando ao país todos os anos diversos estudantes. Além disso, os cursos de nível superior também têm atraído diplomatas e militares do país africano buscando uma melhor qualificação profissional. Outras iniciativas bilaterais importantes estão relacionadas a assistência materna infantil, coleta de dados eletrônicos para pesquisas populacionais e cuidados animais. O presidente brasileiro também defendeu a inclusão social e o combate ao racismo como bases da democracia.
Além disso, Lula quer dar uma maior atenção a soluções que possam conter os impactos relacionados às mudanças climáticas em Cabo Verde, pois os efeitos climáticos representam ameaças a todos os países da região e seus impactos são piores para os pequenos estados que são constituídos por ilhas, disse o presidente, sobre o país que é formado por um arquipélago de dez ilhas, na costa ocidental da África.
Fonte: Agência Brasil
Assim como Ruanda, a República Democrática do Congo enfrenta problemas com inundações e a inimizade como o país vizinho permanece
20/05/2023
Por Lorenna de Oliveira Silva
Ruanda e República Democrática do Congo (RDC), são dois países que se encontram muito próximos geograficamente e próximos à África Central e, devido a esse fato, têm de lidar com um problema comum de inundações. Isso porque as características climáticas dos países caracterizada por uma grande quantidade de chuvas intensas promovem grandes cheias, deslizamentos e consequentemente, catástrofes naturais. Estima-se que no dia 07 de maio de 2023, o número de mortos subiu de 176 para 205 na República Democrática do Congo, sendo que os territórios de Kalehe, no Kivu do Sul, foram os que mais sofreram com os problemas oriundos dos desastres naturais. Além disso, estima-se que mais de 100 pessoas estão desaparecidas.
Do mesmo modo, em Ruanda foram estimadas 131 mortes, oriundas das grandes inundações que assolam o oeste e norte do país. A catástrofe nessas áreas impactou os moradores durante a madrugada. Ademais, foram identificados 94 feridos e mais de 5.000 imóveis sofreram danos.
No entanto, mesmo com a existência de um problema comum entre os dois países, estes não estabelecem relações amigáveis e harmônicas, visto que, a República Democrática do Congo enfrenta problemas históricos com violência e acusa Ruanda de prestar apoio a estas atitudes. Outrossim, a República Democrática do Congo afirma que o movimento rebelde conhecido como M23 é um movimento apoiado por Ruanda.
Fonte: Afrik
A Alemanha decidiu estender por mais um ano a missão militar em Mali
27/05/2023
Por Ana Júlia da Silva Rosa
Na última sexta-feira, dia 25 de maio, a Alemanha decidiu pela extensão de sua missão militar em Mali, a decisão foi tomada pelos legisladores tendo 375 votos a favor, 263 contra e uma abstenção. A previsão é de que as tropas fiquem por mais um ano no território estrangeiro, ou seja, é de se esperar que em maio de 2024 as contingências militares sejam retiradas. Nesse sentido, tal decisão foi tomada na expectativa de que, no final desse período, ocorra a finalização da missão que já vem sendo realizada há 10 anos e que sofreu consequências negativas devido às disputas entre os militares que estão em Bamako e, os recém chegados, militares russos.
A capital alemã, Berlim, deslocou cerca de 1.000 militares para Mali, sendo o principal destino deles a cidade de Gao, localizada ao norte do país. Esses soldados, por sua vez, possuem como objetivo fazer uma análise do local para a missão de paz das Organizações das Nações Unidas (ONU), MINUSMA. Essa missão foi desenvolvida em 2013 visando auxiliar as contingências do país e do exterior no combate aos militares islâmicos, contando com aproximadamente 12.000 militares em Mali, sendo eles majoritariamente provindos do Chade, de Bangladesh e do Egito.
Ademais, há alguns focos de tensão relacionados a missão, sendo o primeiro com as autoridades do Mali, e o segundo relacionado ao deterioramento das relações entre Mali e os países da Europa, em decorrência do golpe militar de 2020 e também do convite realizado, por parte do governo malês, para que o Grupo Wagner pudesse ajudar na luta contra os militares islâmicos.
Fonte: Reuters
