Clipping África Oriental #37

Inovação e sustentabilidade: mulheres quenianas transformam espécie de cacto invasora em biogás e comida

02/11/2023

Por Clara Fernandes Ramos

Um grupo de mulheres da etnia Maasai, da região central do Quênia, está transformando a opúncia, uma espécie de cacto invasora do ecossistema regional, em matéria-prima para biogás, geleias e óleos. O Grupo Cultural Manyatta de Mulheres Iloplei Twala, responsável pelo processo, é composto por mais de duzentas mulheres e oferece uma oportunidade de empoderamento feminino por meio da capacitação técnica e do desenvolvimento de empreendimentos. “Queremos nos capacitar e apenas acreditar que quando vocês querem se capacitar, vocês devem se unir, fazer lobby por recursos como fizemos como Mulheres Twala e agora podemos administrar 40 acres de terra”, declara Rosemary Nenini, membro do grupo.

Além de fomentar a autonomia feminina, a inovadora iniciativa oferece alternativas sustentáveis para a geração de energia a partir do cacto, bem como o aproveitamento total da planta: os frutos do cacto são comestíveis, a polpa é transformada em suco e geleia e as sementes em óleo, que por sua vez é utilizado na produção de cosméticos e loções corporais.

O projeto também tem impacto direto no ecossistema queniano. Segundo o Centro Internacional para Agricultura e Biociência, se descontrolada, a opúncia pode invadir cerca de 70% do território de pastagens, reduzindo a biodiversidade local e a disponibilidade de alimento ao gado. Os tradicionais métodos de remoção da espécie invasora (queima e extração manual) se mostraram ineficazes e, por isso, a iniciativa das mulheres Maasai surge como solução viável e um grande passo para a preservação da biodiversidade no Quênia.

Fonte: https://africanews.com/2023/11/02/kenyan-maasai-women-turn-harmful-cactus-species-into-bio-gas-and-food/

Cooperação externa ainda é necessária para estabilidade centro-africana

  26/10/2023

Por Luis Gustavo Rodrigues Viana

A líder da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para Estabilização na República Centro-Africana (MINUSCA) apresentou o último relatório de suas atividades no país para as Nações Unidas. Em seu discurso, Rugwabiza reforçou o compromisso da missão para trabalhar com o governo local e destacou que o compromisso de parceiros financiadores permanece essencial para a manutenção do programa.

A segurança revela-se uma questão chave para lidar com a instabilidade social. Tal situação encontra-se mais crítica em áreas distantes da capital, Bangui, especialmente nas regiões fronteiriças. Ainda sim, muito progresso fora estabelecido, inclusos o desbande e desarmamentos de grupos paramilitares e associados, o referendo na nova Constituição feito neste ano, e o prosseguimento das novas eleições nacionais em 2024. Nesse clima de reconciliação, muitos ex-combatentes e refugiados também foram repatriados durante os últimos meses.

Contudo, essas conquistas dão-se em um cenário ainda volátil. A MINUSCA trabalha para aumentar infraestruturas e a oferta de serviços básicos no país, e lidar também com problemas sociais como violência e exploração sexual. Além disso, a missão sofre com deficiências no sistema logístico terrestre e aéreo e suas cadeias de distribuição, desse modo, a presença do Estado e dos grupos da MINUSCA são comprometidos, os quais também são suscetíveis a ataques armados. Portanto, conforme a fala de Rugwabiza, o governo local continua frágil e dependente da cooperação com as Nações Unidas, necessitando também, de maior financiamento.


Fonte: https://news.un.org/en/story/2023/10/1142857

Governo da Etiópia diz que disputas por região do Tigray, será resolvida em um referendo

07/11/2023

Por Mariana Mendes Azevedo Reis 

Após um ano que um cessar-fogo encerrou uma guerra civil no país, o Governo Federal da Etiópia se pronunciou afirmando que o futuro das terras contestadas na região do Tigray será decidido por um referendo, e que as milhares de pessoas deslocadas à força da região irão retornar, sendo que os militares federais irão assumir a responsabilidade pela segurança local. Segundo o comunicado do governo, com o referendo busca-se chegar a “uma determinação final sobre o destino dessas áreas”. Ainda não há data para a realização do referendo.

Como um ponto crítico no conflito, o estatuto disputado do oeste de Tigray, um pedaço de terra fértil na fronteira com o Sudão, tem sido centro da disputa há dois anos entre a Frente de Libertação do Povo de Tigray, ou TPLF, e o governo federal. 

Segundo a constituição da Etiópia, a região de Western Tigray pertence a Tigray. No entanto, ela tem sido ocupada por forças da província vizinha de Amhara, que reivindica a área como sua. Nesse momento, centenas de milhares de Tigrayans foram expulsos à força, gerando acusações de limpeza étnica.

Fonte: https://apnews.com/article/ethiopia-tigray-conflict-referendum-a4d067d73937f9413c25d9702c7f0936

Exército de Uganda captura líder da ADF por trás dos assassinatos de turistas 

02/11/2023

Por Marcela Gonçalves Batista

A Uganda anunciou na quinta-feira que capturou o líder de um esquadrão de milícias acusado do assassinato de dois turistas estrangeiros em lua de mel, o britânico David Barlow e sua esposa sul-africana Celia, e de seu guia local, Eric Ayai, enquanto faziam um safári no Parque Nacional Queen Elizabeth no dia 17 de outubro. O líder capturado foi o único sobrevivente de uma operação militar noturna na terça-feira contra uma unidade das temidas Forças Democráticas Aliadas (ADF), que matou outros seis combatentes, informou o exército.

A Uganda culpou a ADF, uma milícia armada formada por uma coalizão rebelde ugandense cujo maior grupo era composto por muçulmanos opostos a Museveni, com base no vizinho República Democrática do Congo. Posteriormente, o grupo Estado Islâmico (EI), afiliada ao ADF, reivindicou a responsabilidade pelo ataque, afirmando ter matado “três turistas cristãos”. Assim, o porta-voz militar adjunto, Deo Akiiki, declarou que a operação, liderada pela inteligência militar conjunta, foi bem-sucedida e eliminou o esquadrão da ADF enviado para causar estragos, matar turistas e incendiar escolas e hospitais. Além disso, o major-general Dick Olum, responsável pelas operações militares de Uganda contra a ADF na RDC, revelou que o combatente capturado estava planejando “outra missão para realizar mais ataques terroristas”, alheio à monitoração do grupo pelo exército.

Após o ataque de outubro, o presidente Yoweri Museveni pediu às forças de segurança que assegura a “erradicação” da ADF, e o exército realizou vários ataques aéreos contra suas posições na RDC. Nesse contexto, o governo britânico aconselhou seus cidadãos a evitarem viagens para certas áreas de Uganda, incluindo o Parque Nacional Queen Elizabeth. Contudo, o turismo é uma das principais fontes de divisas estrangeiras em Uganda, gerando quase 10% do produto interno bruto (PIB) no ano passado, de acordo com dados do governo.

Fonte: https://www.theeastafrican.co.ke/tea/news/east-africa/uganda-apprehends-militia-chief-behind-tourists-murders-4421710

2 pessoas morrem em protestos após resultados de eleições locais no Moçambique – 70 pessoas foram presas

03/11/2023

Por Norberto Gerheim

No dia 27 de outubro, um civil e um policial foram mortos durante protestos após resultados de uma disputada corrida eleitoral local em Moçambique. A polícia informou que 70 pessoas foram presas em 4 cidades, mas sem fatalidades.

Os protestos começaram após a contagem de votos das eleições em 11 de outubro, que declarou vitória ao partido da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) em 64 dos 65 colégios eleitorais. Em investigações, foram apontadas irregularidades no processo eleitoral, que contou com votos fraudulentos, compra de votos e falsificação de resultados em favor da FRELIMO.

Os resultados dessa eleição reduziram o número de colegiados eleitorais dominados pela RENAMO, de 8 para 0. Assim, uma contagem paralela foi instaurada e concluiu que a RENAMO venceu a FRELIMO nas principais cidades: Quelimane, Nampula, Matola e Maputo. Tal resultado teria colocado o partido da oposição em controle da capital pela primeira vez desde a independência de Moçambique em 1975.

Na capital, o principal partido de oposição, Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) liderou os protestos. A repressão policial contou com gás lacrimogênio e rajadas de fuzil no ar. Pelo menos duas pessoas em Nampula ficaram gravemente feridas em detrimento do gás lacrimogênio, incluindo uma criança de 6 anos. Além disso, a polícia foi avistada conduzindo diversas prisões na filial da RENAMO na capital Maputo. 

A FRELIMO e a RENAMO lutaram uma sangrenta guerra civil entre 1977 e 1922, em que estima-se a morte de mais de 1 milhão de pessoas. Depois de um acordo pacífico, Moçambique teve suas primeiras eleições democráticas em 1994. O próximo embate entre os partidos foi em 2014, após as eleições gerais, que só tiveram um acordo de paz firmado em 2019.

Fonte: https://apnews.com/article/mozambique-protests-elections-frelimo-renamo-df8adc444d6b36fa9b03cffcf6d772e1

Uganda pode ser Retirada de Programa Comercial dos EUA devido a Leis Anti-LGBTQIA+ 

07/11/2023

Por Anna Cecília de Souza Rodrigues

Desde maio de 2023, o Presidente da República de Uganda, Yoweri Museveni, promulgou leis que violam os direitos da comunidade LGBTQIA+, incluindo a imposição da pena de morte para casos de “homossexualidade agravada”. Diante desses severos ataques aos direitos desse grupo, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou sua intenção de retirar o Estado africano do programa denominado Lei de Crescimento e Oportunidades para a África (AGOA) a partir de 2024.

O AGOA, instituído em 2000, oferece benefícios significativos, permitindo que nações elegíveis exportem seus produtos para o mercado dos EUA sem a incidência de impostos. Em 2022, Uganda conseguiu exportar bens no valor de 10,6 milhões de dólares graças a esse programa. A decisão de suspender a participação de Uganda no AGOA terá repercussões diretas na economia do país e em sua balança de pagamentos.

Entretanto, Yoweri Museveni manifestou uma atitude aparentemente indiferente em relação a essa decisão de Washington, sugerindo que os ugandenses não deveriam se sobrecarregar com preocupações excessivas a respeito dela.

Fonte: https://www.africanews.com/2023/11/06/president-yoweri-museveni-downplays-ugandas-expulsion-from-agoa/

O cobre de Uganda é viável?

Data: 30/10/2023

Por Antônio Augusto Araújo Vaz 

Uganda é um país com um grande potencial para a exploração de cobre, pois tem reservas de cobre estimadas em 13 milhões de toneladas, o que o coloca entre os dez maiores produtores de cobre do mundo. Ademais, o  cobre é um metal essencial para a economia mundial, porque é usado em uma ampla gama de produtos, incluindo fios elétricos, componentes eletrônicos, construção civil e infraestrutura. O cobre é extraído da rocha por meio da mineração a céu aberto, depois ele é processado para remover impurezas e torná-lo utilizável. No entanto, a indústria mineradora de Uganda está paralisada desde 1982. O governo do país está buscando investidores para reviver a indústria, mas ainda há dúvidas sobre a viabilidade econômica do projeto, já que os custos de produção de cobre são relativamente altos e o mercado do cobre é volátil, o que pode tornar o projeto ainda mais arriscado. 

Apesar dos desafios, o governo de Uganda acredita que a exploração de cobre pode ser um motor de crescimento econômico para o país, visto que a indústria mineradora pode gerar empregos, aumentar as exportações e impulsionar o desenvolvimento da infraestrutura. A viabilidade da exploração de cobre em Uganda ainda é uma questão em aberto. O governo do país está trabalhando para identificar investidores e parceiros que possam tornar o projeto viável, pois caso o projeto obtenha sucesso, a exploração de cobre pode trazer benefícios econômicos e sociais significativos para Uganda, tornando o país um importante produtor de cobre e o setor minerário.

Fonte: https://www.africanews.com/2023/10/30/is-ugandan-copper-viable/

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