Clipping África Ocidental #40

Número de tropas francesas no Níger caiu pela metade, afirma coronel 

24/10/2023

Por Marcela Benitez

Em conferência de imprensa realizada no dia 20 de outubro de 2023, o coronel major nigerino Mamane Sani Kiaou afirmou que, com a partida de aproximadamente 400 forças francesas programada para a próxima semana, o número de tropas francesas no Níger, que era de 1450, reduzirá pela metade. 

O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou no dia 24 do mês anterior que iria iniciar uma “saída ordenada” dos diplomatas e soldados que estavam em território nigerino nos próximos meses, com retirada completa até o final do ano. Atendendo a pressões dos militares que assumiram o poder no Níger após um golpe de Estado em julho deste ano, que derrubaram o então presidente Mohamed Bazoum. De acordo com o coronel Kiaou, mais de 282 pessoas já deixaram o Níger após a ordem.

O golpe no Níger não é um caso isolado. Desde 2020, a África enfrenta uma onda de golpes de Estado, contabilizando sete golpes em um período de dois anos. O último foi em 26 de agosto de 2023 no Gabão. Entre os onze países que sofreram com rupturas institucionais, oito são ex-colônias francesas. Uma característica presente nos golpes que ocorrem nesses territórios, tanto por parte dos grupos que tomam o poder como nas manifestações populares, é um forte sentimento anti-França. Em meio aos protestos, foram fotografados símbolos franceses sendo queimados. O desgaste na relação entre a França e seus antigos domínios se intensificou com o envio de tropas francesas para esses países sob a justificativa de combate ao jihadismo na região do Sahel.

Os comboios franceses que saem do Níger seguem o caminho em direção ao Chade. Entretanto, o general francês Eric Ozonne, também presente na conferência, disse que o objetivo não é reposicionar as operações do Níger para o Chade, reiterando a importância de concluir a meta de encerrar a retirada até 31 de dezembro conforme apresentado por Macron. Além disso, Ozonne elogiou o planejamento e execução das atividades de retirada pelas autoridades nigerinas.

FONTES:

REUTERS. Withdrawal of French troops from Niger nearly half-complete, colonel says. Disponível em: 20 out. 2023. https://www.reuters.com/world/africa/withdrawal-french-troops-niger-nearly-half-complete-colonel-says-2023-10-20/. Acesso em: 24 out. 2023.

AGÊNCIA BRASIL.  França negocia retirada de seus soldados do Níger. Disponível em: 05 set. 2023. https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2023-09/franca-negocia-retirada-de-seus-soldados-do-niger. Acesso em: 24 out. 2023.

FOLHA DE SÃO PAULO. África: Golpes refletem esgotamento de relação com França. Disponível em: 3. set. 2023.  https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2023/09/golpes-na-africa-refletem-esgotamento-de-relacao-entre-franca-e-ex-colonias.shtml. Acesso em: 24 out. 2023. 

Relatório do Banco Mundial prevê crescimento de 3,9% em 2024 para a África Ocidental e Central

27/10/2023

Por Aline Almeida Santos

O Relatório Anual do Banco Mundial (2023) prevê um crescimento de 3,9% para os países da África Ocidental e Central em 2024. Apesar da expectativa de crescimento, 2023 deve não passar de 3,4%, quase meio por cento a menos se comparado ao ano anterior. 

Segundo o relatório, o agravamento de países participantes na invasão da Ucrânia pela Rússia acabou por ocasionar o aumento dos preços globais de commodities (especialmente trigo e energia), alteração das mudanças climáticas, além de crescentes níveis de superendividamento.

A preocupação do Banco Mundial, na região, é com o aumento da insegurança alimentar, com a elevação dos níveis de pobreza e com a baixa produtividade agrícola. De acordo com o relatório, “Mais de 41 milhões de habitantes dessa região correm risco de insegurança alimentar, e cerca de 29 milhões dependem de assistência emergencial para ter acesso a alimentos”. 

O Banco Mundial ressalta que ajuda esses países nas seguintes áreas: infraestrutura, diversificação econômica, comércio e transporte, inclusão financeira, capital humano e resiliência de pessoas e comunidades. 

Em 2023, o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) e a Associação Internacional para o Desenvolvimento (AID) investiram US$12bilhões na região. Sendo a Administração Pública o setor mais beneficiado com 28% e a Indústria, comércio e serviços o setor o menos beneficiado com apenas 3%. 

O Banco Mundial, em 2023, já desenvolveu projetos nas regiões da Mauritânia, do Burkina Faso, da Gana, do Níger, do Benin, do Chade, da Libéria, da Serra Leoa e do Togo. Na Mauritânia, foram investidos US$66 milhões em serviços públicos, em fontes renováveis de energia e na implementação em fibra óptica. O “Projeto Regional de Resiliência do Sistema Alimentar” ajudou Burkina Faso, Mauritânia e Níger no combate à insegurança alimentar, até agora, foram investidos US$645 milhões. Em Benin, US$500 milhões promoveram o acesso universal à água potável em áreas rurais, beneficiando mais de 205 mil pessoas. US$300 milhões de investimento, em Benin, estão voltados às infraestruturas contra enchentes. Já em Gana, US$103 milhões procuram restaurar áreas degradadas no intuito de aumentar a produtividade agrícola e fortalecer a gestão sustentável de terras florestais.

FONTES:

RELATÓRIO ANUAL 2023 DO BANCO MUNDIAL – Uma nova era do desenvolvimento. Disponível em:  https://www.worldbank.org/en/about/annual-report#anchor-annual Acesso em: 27 out. 2023.

União Europeia e Cabo Verde apresentam pacote de investimentos

02/11/2023

Por Duarte Starling

Na véspera do Fórum Global Gateway de 2023, dia 24 de outubro, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e Ulisses Correia e Silva, primeiro-ministro de Cabo Verde, apresentaram um pacote de investimentos de 246 milhões de euros para impulsionar a transição para uso de energia verde, conectividade digital e transporte sustentável.

Continuando uma parceria iniciada em 2007 que tem como foco o desenvolvimento humano, igualdade e uma economia sustentável, este pacote levaria o investimento a quatro eixos da economia de Cabo Verde: um mercado de energia sustentável, expansão de um projeto de implementação de energia eólica, modernização da infraestrutura portuária e disponibilização de internet de alta velocidade a cidadãos e empresas.

Mais extensivamente, na área de energia, seriam feitas uma subvenção de 29 milhões de EUR pela União Europeia e um empréstimo de 120 milhões de EUR do Banco Europeu de Investimento para o desenvolvimento de uma nova instalação de armazenamento e otimização da utilização de energia, e um segundo empréstimo de 22 milhões de euros para a expansão do parque eólico de Cabo Verde através da instalação de duas novas turbinas e um sistema de armazenamento de energia.

Em relação à infraestrutura, trás nova subvenção de €25 milhões pela UE e mais €120 milhões em empréstimo pelo BEI para expansão do Porto Grande, fornecimento de eletricidade e desenvolvimento de uma economia azul.

Por último, objetivando a disponibilização de internet de alta velocidade e maior conectividade para o país, o BEI disponibiliza um empréstimo empresarial de €22 milhões à Cabo Verde Telecom. Este investimento será utilizado na implementação de ligações à internet mais acessíveis, através do cabo Equiano.

Estes são passos essenciais para que Cabo Verde atinja seu objetivo de ter 50% de sua energia sendo renovável até 2023, aumento do comércio e turismo e melhora da situação socioeconômica de suas populações em situações vulneráveis.

FONTES:

A Nação. Equipa Europa e Cabo Verde reforçam parceria em energia verde, transportes sustentáveis e conectividade digital. 26 de out. 2023. Disponível em: https://www.anacao.cv/noticia/2023/10/26/equipa-europa-e-cabo-verde-reforcam-parceria-em-energia-verde-transportes-sustentaveis-e-conectividade-digital/. Acesso em: 2 out. 2023.

European Commission. Global Gateway: Team Europe and Cabo Verde present an investment package of €246 million to boost green energy, sustainable transport and digital connectivity transformation. 24 out. 2023. Disponível em: https://ec.europa.eu/commission/presscorner/detail/en/ip_23_5265. Acesso em: 02 out. 2023.

RETIRADA DA MINUSMA DO MALI CONTRA TENSÕES: Até onde irá a escalada?

03/11/2023

Por Ana Clara do Nascimento

A retirada gradual da MINUSMA (Missão Multidimensional das Nações Unidas para a Estabilização no Mali) foi estabelecida em 1º julho, após a adoção da resolução 2.690 da ONU, contando até 31 de dezembro de 2023. Contudo, há certos obstáculos e empecilhos no território que colocam em questão se o prazo estabelecido será realmente cumprido. 

A própria missão, se manifestou em 14 de outubro sobre as dificuldades em se organizar para se retirar do Mali, de acordo com o calendário oficial. Um dos obstáculos citados seria a movimentação dos comboios, bloqueados por várias semanas em cidades como Gao e Tombuctu, enquanto aguardavam uma sinalização positiva de Bamako (capital do Mali). Outro fator diz respeito à própria segurança dos Capacetes Azuis, de acordo com o portal jornalístico Le Pays (2023), a segurança dos Capacetes Azuis tornou-se uma fonte de preocupação para a missão, cujas patrulhas de protecção terrestre ao redor do aeroporto e da sua base em Tombuctu são proibidas pelas autoridades malianas.

Além desse contexto, há em Bamako uma tensão crescente entre as autoridades da capital e os grupos armados do Norte juntamente com a CSP – PSD (coligação do Quadro Estratégico Permanente para a Paz, Segurança e Desenvolvimento), ambos disputam o controle pelos campos a serem abandonados pela MINUSMA. Em outras palavras, além de uma operação de paz mal sucedida e com retirada de tropas, a situação no território do Mali não está em boa situação. A partir disso, gera-se o questionamento acerca de até onde essa escalada entre os dois principais atores da crise do Mali se estenderá, já que estão visivelmente em um desacordo. 

Após anos em busca da paz e acordos de resolução entre os principais protagonistas da crise, é o próprio futuro do Mali que está em risco. Enquanto a luta contra o terrorismo, o jornal Le Pays (2023) discorre se a saída forçada das forças de manutenção da paz que desempenharam mais ou menos o papel de força tampão, enquanto aguardavam por uma solução política negociada para a crise, não contribuirá para exacerbar as tensões entre os protagonistas. Isto é, a ausência de forças internacionais pode ser um gatilho para que os rivais comecem uma nova escalada de conflito. 

Fonte: 

PAYS, Le. RETIRADA DA MINUSMA DO MALI CONTRA TENSÕES: Até onde irá a escalada?. Le Pays, 25 out. 2023. Disponível em: https://lepays.bf/retrait-de-la-minusma-du-mali-sur-fond-de-tensions-jusquou-ira-lescalade/. Acesso em: 3 nov. 2023.

Africanos bloqueados pela “guerra diplomática” da França 

08/11/2023

Por Victor Hugo Nasser 

Cidadãos do Mali, Burkina Faso e Níger têm tido desde agosto seus processos de entrada na França descontinuados, após o anúncio de Catherine Colonna, a ministra de relações exteriores francesa. Tal movimentação do país europeu é uma resposta ao sentimento anti–francês que dominou os países nos últimos três anos, de modo que ocasionou na deposição de governos apoiados pelos europeus e até mesmo a expulsão de soldados e embaixadores franceses após ataques às embaixadas.  Diante deste cenário, o governo francês reduziu as funcionalidades das embaixadas nesses países e proibiu a emissão de vistos alegando falta de segurança suficiente, mas também como uma retaliação ao movimento anti-colonialista que pôde ser observado recentemente. 

 Entretanto, tal movimentação diplomática interfere diretamente na vida dos cidadãos desses países que vão para Europa atrás de boas oportunidades. A notícia traz exemplos de cidadãos que tiveram seus sonhos e projetos adiados, uma vez que não conseguiram dar prosseguimento no processo de visto após o anúncio, sendo que um destes teve seu passaporte retido na embaixada francesa. A insatisfação com a situação e o sentimento anti-frança são claros na fala do nigerio  Boubacar Ny trazida pela notícia: “Nosso sonho não é a França, mas ter uma boa formação porque é o melhor para o nosso futuro”. 

Os caminhos para burquinenses, nigerenses e malineses são restritos uma vez que segundo uma pesquisa feita pela Comissão Europeia, o sahel é uma das zonas do mundo com maiores taxas de negação de visto, e apesar de alguns outros países europeus permitirem sua entrada, estas são somente por 45 dias, de modo que não consigam concluir o projeto inicial de sua ida para a França. Diante disto, este cidadãos estão dependendo exclusivamente de uma reabertura das embaixadas francesas em seu país. 

FONTE:

DIOULASSO, Bobo. Africanos bloqueados por la ‘guerra diplomática’ de Francia. Dakar, 23 set. 2023. Disponível em: https://elpais.com/planeta-futuro/2023-10-23/africanos-bloqueados-por-la-guerra-diplomatica-de-francia.html. Acesso em: 8 nov. 2023.

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