Conselho de Segurança debate “pesadelo de violência” com conflito no Sudão
Data: 28/10/2024
Por Laura Silveira
Na reunião de 28 de outubro, o Conselho de Segurança da ONU discutiu a crescente violência do conflito no Sudão, que já se arrasta por mais de um ano e ameaça a estabilidade regional na África. Desde o início do conflito, em abril de 2023, mais de 11 milhões de sudaneses foram forçados a deixar suas casas, com três milhões fugindo para países vizinhos, caracterizando a maior crise de deslocamento mundial.
O secretário-geral, António Guterres, classificou como brutais tanto as Forças Armadas Sudanesas quanto o grupo paramilitar Forças de Suporte Rápido. Ele destacou que cerca de 15 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária e que, em locais como Darfur do Norte, 750 mil pessoas enfrentam insegurança alimentar. Milhares de civis foram mortos, incluindo em Aj Jazirah, onde há registros de assassinatos em massa. Além disso, sudaneses têm sido vítimas de violência sexual e estupros. Guterres alertou também sobre a intervenção de “forças externas” que alimentam o conflito no Sudão.
A ONU reiterou diversas vezes o pedido para que ambas as partes negociem pela paz, mas sem sucesso até o momento, pois as operações militares continuam a se intensificar. A resolução 2736, aprovada pelo Conselho no início deste ano, destacou a urgência de uma solução pacífica para o Sudão. Guterres enfatizou a importância de proteger civis de acordo com os direitos humanos e o direito humanitário internacional, pedindo pausas humanitárias ou cessar-fogo temporário que levem ao diálogo para uma paz duradoura. Ele também apoia as mediações de parceiros regionais, como a União Africana e a Liga Árabe.
A violência é tão intensa que membros da sociedade civil e jornalistas têm sido alvos. Guterres afirmou que, no momento, não há condições para o envio de forças de paz da ONU ao Sudão, mas solicitou que a ajuda humanitária continue fluindo livremente. Entre janeiro e setembro deste ano, 12 milhões de pessoas receberam assistência.
O conflito também desencadeou crises de saúde, com surtos de cólera, malária e sarampo, afetando principalmente as crianças. Chuvas intensas e enchentes agravaram a situação, impactando 600 mil pessoas durante o verão no Sudão e aumentando a precariedade da região. Diante desse cenário, o secretário-geral reforçou a importância de um financiamento flexível, pedindo aos doadores que contribuam para o apelo humanitário de US$2,7 bilhões, que até o momento foi atendido em 56%.
FONTE: https://news.un.org/pt/story/2024/10/1839846
Após eleição de Trump, Democratas no Quênia temem o que acontecerá nos próximos 4 anos
Data 06/11/2024
Por Carolina do Carmo
No Quênia, membros dos Democratas no Exterior se reuniram em Westlands, capital do país, para acompanhar os resultados das eleições dos EUA com a esperança de uma vitória democrata. Entretanto, a frustração começou a surgir ao perceberem que Trump seria eleito. Com isso, muitos dos presentes ficaram preocupados com as consequências que a nova administração dos Estados Unidos poderia trazer para o país.
A gerente de projetos, Alexia Yun expressou sua frustração com o resultado. Ela afirmou que: “Estou um pouco decepcionada, não tão surpresa quanto fiquei em 2016. Um pouco assustada agora sobre o que vai acontecer nos próximos quatro anos e além, mas não estou surpresa. Infelizmente.”.
Um dos temas que preocupa preocupa esses democratas e que foi bastante debatido nessa eleição foi o direito ao aborto. Em 2022, a Suprema Corte dos EUA anulou a decisão Roe v Wade, que garantia o direito ao aborto há quase cinco décadas. Essa reversão reduziu o acesso ao aborto para milhões de mulheres estadunidenses, e muitos temem que, com Trump no poder, esses direitos possam ser ainda mais restringidos, o que traz preocupação para os democratas no Quênia.
Robin Emerson, presidente dos Democratas no Exterior no Quênia, também compartilhou sua preocupação com o impacto de uma nova administração sobre os direitos das mulheres. Ela destacou que teme que os avanços em direitos reprodutivos sofram retrocessos. A organização Democratas no Exterior, possui 52 comitês nacionais e tem como objetivo principal auxiliar os cidadãos dos Estados Unidos que estão no exterior, a participar das eleições.
Governo de Uganda não tem planos para solucionar a queda brusca das exportações de algodão
Data: 11/11/2024
Por Lucas França de Oliveira
FONTE: MONITOR
Desde 2019 os ganhos da exportação de algodão em Uganda despencaram drasticamente, questão esta que evidentemente afeta diversos produtores do país. O volume exportado caiu em mais de 100.000 quilos neste período, resultando em uma queda dos valores arrecadados de mais de 20 milhões de dólares – saindo de US$ 41,69 milhões para US$ 21,43 milhões.
Apesar da queda do valor em mais de 50%, o governo não tem planos para solucionar este problema, pois de acordo com ele esta produção não possui sentido econômico e consequentemente não deve estar entre os focos de atuação. A ideia central por trás deste posicionamento é desencorajar a produção de algodão para subsistência, deixando-a a cargo dos grandes produtores. De acordo com o Ministro da Agricultura Tumwebaze, o governo irá apoiar apoiar apenas empresas selecionadas com base em seus lucros para fomentar o agronegócio. Tumwebaze ainda recomenda que aqueles pequenos fazendeiros que trabalham com algodão devem abandonar este setor, pois não terão apoio algum.
Reconhece-se que a produção de algodão está colapsando, mas a abordagem do governo ugandês é que esta queda é apenas um reflexo da busca por alternativas melhores. Sendo assim, não há necessidade de lutar por um produto que não trará benefícios algum, visto que os pequenos produtores não deveriam estar plantando algodão e sim buscando outros setores, alguns latifundiários que poderiam ser prejudicados já estão na busca por alternativas e os outros, que efetivamente estão perdendo com a redução das exportações, irão receber apoio governamental para auxiliar em sua produção.
Apesar de simbolizar uma iniciativa de Uganda em busca de um desenvolvimento setorial e consequente crescimento econômico – visto que a indústria de algodão no país é pouco desenvolvida –, é preocupante a projeção de um cenário onde o governo abandona diversos produtores necessitados sob justificativas puramente econômicas. No entanto, este projeto, apesar de controverso, não necessariamente servirá como modelo para os demais produtos agrícolas que sustentam grande parte da atividade econômica do país. Para isto, é necessário aguardar pelas futuras políticas governamentais referente ao setor agrário.
Refugiados em Uganda enfrentam crise humanitária com cortes na assistência internacional
Data: 31/10/2024
Por: Isadora Silveira de Almeida
Desde o início de 2023, Uganda tem enfrentado uma grave crise humanitária, que afeta diretamente os 1,7 milhão de refugiados que vivem no país. Com a redução de recursos internacionais, muitos refugiados, especialmente os que estão em Uganda há mais tempo, têm recebido assistência limitada ou inexistente, dificultando sua sobrevivência.
Entre os casos mais alarmantes está o de Agnes, uma refugiada da República Democrática do Congo, que devido ao aumento da violência no território acabou deixando o país. Ela conta que, mesmo trabalhando, não consegue sustentar sua família: “O dinheiro que recebíamos antes ajudava a comprar comida, roupas e sabão para nossos filhos. Agora, não recebemos nada, e estamos sem esperanças. As crianças estão descalças, com roupas sujas, e sem ir à escola. Sem vender a mim mesma, não consigo dinheiro para pagar os estudos delas”.
Reconhece-se que Uganda possui uma política historicamente generosa com os refugiados, mas a redução da ajuda humanitária tem deixado muitos em situação de extrema vulnerabilidade. Apenas os recém-chegados recebem assistência alimentar completa, o que tem gerado tensões e desigualdades entre os refugiados que lutam por recursos escassos.
De acordo com o alto comissário da ONU para Refugiados (ACNUR), Filippo Grandi, a crise financeira global está impactando diretamente os programas de apoio. Ele afirma que, embora o ACNUR receba cerca de US$50 bilhões anuais para operações em todo o mundo, isso é insuficiente para atender a todas as demandas. Para ele, é necessário mobilizar mais assistência ao desenvolvimento para preencher essas lacunas e evitar um colapso ainda maior.
Apesar de representar uma tentativa de reestruturar a assistência de forma mais eficiente, o cenário preocupa pela possibilidade de abandono de milhares de refugiados que já enfrentam dificuldades extremas.
