Clipping Chifre da África #58

O surto de febre amarela em uma área rural na Etiópia

Por Paula de Paula Mattos em 24/04/2020

No início do mês de março de 2020, o Instituto Etíope de Saúde Pública (EPHI) relatou a suspeita de 3 casos de febre amarela em uma família, composta por pai, mãe e filho, na zona rural de Gurage, na Etiópia. No começo do mês subsequente, já haviam cerca de 85 notificações de suspeita da doença, levando o EPHI e o Ministério da Saúde, com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), a realizarem investigações epidemiológicas (ramo de estudo dos diferentes fatores que intervêm na difusão e propagação de doenças) e entomológicas (vertente de estudo dos insetos e suas relações com o homem, as plantas, os animais e os objetos), além de fazerem uma campanha reativa de resposta rápida por meio da vacinação, visando atender até 32.000 pessoas na região. A OMS classificou a situação com alto risco a nível nacional, devido ao alto número de casos suspeitos relatados em um curto intervalo de tempo, em uma população que praticamente não possui vacinação contra a doença. Um fator agravante é o início da estação de chuvas na região, que pode contribuir para o aumento da densidade dos mosquitos Aedes, vetor da febre amarela, expandindo ainda mais o risco de propagação da doença. No entanto, é importante ressaltar que a Etiópia está entre as prioridades da OMS na estratégia para eliminar a epidemia de febre amarela, e a introdução da vacinação na imunização de rotina está planejada para o ano de 2020.

Fonte: Organização Mundial da Saúde (OMS)

Disponível em: <https://www.who.int/csr/don/22-april-2020-yellow-fever-ethiopia/en/>.

Etiópia é trampolim da ajuda médica chinesa na África

Por Lorrayne Figueredo Batista em 27/04/2020

Para ir de encontro aos questionamentos sofridos durante a pandemia do novo coronavírus, o governo chinês aumentou, com a intenção de projetar seu poder, a ajuda médica em países africanos. O destino escolhido para o envio do carregamentos de máscaras e testes foi a Etiópia, uma das maiores economias do continente africano, sede da União Africana  (UA) e principal parceiro estratégico da China ao lado da África do Sul. Ademais, com o fim da guerra da Eritreia, que cessou conflitos sangrentos e culminou em um acordo de paz entre as partes, o território etíope se tornou alvo chinês graças a outros fatores, como a segurança, visto que Estados vizinhos como Sudão do Sul e Somália enfrentam grande instabilidade em âmbito nacional graças à guerras civis e crises humanitárias, e interesses militares e comerciais, já que está localizado ao lado de Djibouti, onde foi construída a primeira base militar estrangeira da China, sobrepondo seus os interesses comerciais da nova Rota da Seda no Chifre da África e na Península Arábica. Ainda no que tange aos interesses chineses, a China tem investido em parcerias com governos em desenvolvimento e apoiado que estes ocupem posições-chave em instituições internacionais, após a retirada dos Estados Unidos destas organizações. A título de exemplo está o posicionamento de autoridades chinesas a favor da eleição de Tedros Adhanom, ex-ministro da Saúde e das relações Exteriores da Etiópia, que concorria com representantes do Reino Unido e do Paquistão e foi eleito ao cargo de chefia na Organização Mundial da Saúde (OMS). Analisando tais aspectos, especialistas concluem que o país asiático percebeu que o multilateralismo pode ser fonte de poder e influência, o que significa que a relação entre países na resolução de trâmites em comum pode fortalecer e/ou criar alianças significativas em âmbito internacional. 

Fonte: Estadão

Disponível em: <https://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,etiopia-e-trampolim-da-ajuda-medica-chinesa-na-africa,70003283146>.

Djibouti registra número crescente de infecções por COVID-19 e a taxa de multiplicação da doença causa preocupação no Governo do país

Por Gabriela Vieira em 25/04/2020

Em meio à pandemia do novo coronavírus, djiboutianos decidem ignorar medidas de proteção contra a doença que tem vitimado pessoas em todo o mundo. Por conta desse posicionamento da população do Djibouti, o número de casos da infecção sofreu um aumento de sete vezes dentro do país, alcançando a marca de 98,6 casos para cada 100.000 pessoas, segundo os Centros da África para Controle e Prevenção de Doenças. Até a data da publicação desta notícia, em 24 de abril de 2020, pela Aljazeera, haviam sido registrados 985 casos positivos na pequena nação, que possui 1 milhão de pessoas. Esse número é o maior em todo o continente africano e se deve a dois fatores, dentre eles o grande número de testes e a quebra do isolamento social por parte da população, mesmo após o bloqueio imposto em todo país pelo governo desde 23 de março. A respeito desse último, a pobreza extrema em um país em que cada cidadão vive com menos de 3 dólares por dia e foram registrados quase 50% de desempregados em 2017 são causas primordiais para as pessoas não estarem deixando de sair para trabalhar no Djibouti. Segundo o presidente, Ismail Omar Guelleh, se continuar a subir o número de casos por conta da quebra das medidas de prevenção, ele precisará tomar medidas drásticas para contornar essa situação. O Djibouti, classificado como “não livre” pelo grupo de defesa à democracia, Freedom House, apresenta-se como risco também para as bases militares dos Estados Unidos, que declararam estado de emergência em sua única base permanente na África após o país anfitrião apresentar o número elevado de casos. 

Fonte: Periódico Aljazeera (principal emissora de televisão jornalística do Catar)

Disponível em <https://www.aljazeera.com/news/2020/04/coronavirus-surges-djibouti-population-ignores-measures-200424100351031.html>

 Fonte: Aljazeera

Nova política da Etiópia para requerentes de asilo é criticada 

Por Matheus Felipe Carvalho Fonseca em 26/04/2020

Segundo a organização não-governamental Human Rights Watch, uma mudança realizada pela Etiópia em janeiro em seus procedimentos está dificultando o acesso de refugiados eritreus ao asilo e deixando crianças desacompanhadas sem a proteção necessária. Laetitia Bader, diretora da organização, criticou o governo, afirmando que “sem redução da repressão na Eritrea, o governo etíope não deveria negar proteção aos cidadãos eritreus, principalmente às crianças desacompanhadas”. Atualmente a Etiópia abriga mais de 170 mil refugiados ou requerentes de asilo da Eritreia, muitos dos quais são jovens que fogem do recrutamento militar obrigatório e da violência, que não se encerrou mesmo com o acordo de paz firmado com seus vizinhos etíopes em 2018, que resultou no fim de um conflito de 20 anos entre os dois países. Com o acordo ambos Estados se comprometeram em respeitar os termos do Tratado de Argel, que foi assinado em 2000 e encerrou a Guerra Eritreia-Etiópia, causada por disputas fronteiriças.

O chefe da Agência de Assuntos para Refugiados e Repatriados da Etiópia alegou que os procedimentos anteriores eram extremamentes brandos e, a partir de agora, as condições do país de origem serão avaliadas antes da concessão do status de refugiado. Incluindo os 170 mil eritreus, a Etiópia abriga aproximadamente 750 mil refugiados, que são, em sua maioria, sudaneses ou sul-sudanês. As críticas sobre as mudanças nos procedimentos somam-se, como demonstrado no clipping #57 do Chifre da África, à decisão do governo da Etiópia de fechar um campo de refugiados no norte do país, onde estima-se  que 44% dos eritreus são crianças. A pandemia do COVID-19 afetou o timing da decisão e acentuou as críticas, tendo em vista que os refugiados podem ser expostos a maior risco de contaminação. 

Fonte: Voice of America – Agência multimídia estadunidense.

Disponível em:  <https://www.voanews.com/africa/ethiopias-new-stance-eritrean-asylum-seekers-criticized> e

<https://www.voanews.com/africa/ethiopia-eritrea-sign-agreement-saudi-arabia>.

Etiópia: Muçulmanos e Cristãos se unem contra o COVID-19

Por João Lucas Gomes em 16 de abril de 2020

Enquanto a pandemia do COVID-19 prossegue, e em certos lugares do mundo é tratada com descrença por líderes religiosos, na Etiópia as duas maiores denominações religiosas se uniram em colaboração com o governo para incentivar medidas de distanciamento social. Quatro estações de televisão estatais do país apresentaram mudanças em sua programação, para permitir que seus cultos religiosos sejam transmitidos em horário nobre, com o intuito de incentivar a população de professar sua fé sem saírem de casa. 

O islamismo e o cristianismo representam, juntos, mais de 90% da população do país, sendo os cristãos a maioria. Embora a Constituição do país proíba a intolerância religiosa, tensões entre as duas maiores fés do Etiópia são constantes e por diversas vezes igrejas e mesquitas foram incendiadas. Em 2019 diversos comércios de muçulmanos e mesquitas foram incendiadas por cristãos. Por isso, o movimento conjunto das duas partes de pedir aos fiéis que fiquem em casa simboliza uma união importante, não apenas para a região, mas para todo o mundo ao estabelecer as bases de um exemplo a ser seguido. Bekele Muleta, chefe executivo de um dos canais, explicou como os programas: são “composto de ensinamentos religiosos, orações, e ensinamentos sobre a necessidade do combate ao COVID-19. O feedback que temos recebido nos diz que espectadores de ambas as religiões estão satisfeitos com o formato”. 

De acordo com o diretor geral da autoridade etíope de transmissão televisiva, Getachew Dinku, entre 60% e 70% da população que tem televisão no país tem assistido aos programas. A lei etíope, até então, proibia programas religiosos na televisão, por isso, o movimento de relaxamento dessas leis foi considerado um marco importante na história do país e da forma como o governo tem interpretado a pandemia do COVID-19, já que inicialmente o governo da Etiópia foi acusado de não tomar as devidas medidas que evitassem a propagação do vírus. Nomes importantes de ambas as denominações também têm visto com olhos positivos a ideia de praticar suas respectivas fés e espalhar mensagens não só de esperança de superação do momento, mas também de prevenção. Sheik Abdelaziz Mohammed, um importante imã da capital, por exemplo, lembra que orações e uma vida saudável são partes fundamentais do islamismo. Ele ainda acrescenta que: “O nosso bem estar e a sabedoria para cuidarmos da nossa saúde também são parte do Alcorão, e está nas mãos de Alá.”

Fonte: Anadolu Agency – Fundada em 1920, é a segunda maior agência de notícias turca.

Disponível em: <https://www.aa.com.tr/en/africa/ethiopia-muslims-christians-join-to-fight-covid-19/1806828#&gt;.


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