Clipping Chifre da África #62

Confrontos no Sudão do Sul ‘matam 300’ no estado de Jonglei

Por Maria Isabel Fortunato em 24/05/2020

 Cerca de 300 pessoas foram mortas em uma nova onda de combates intercomunitários no Sudão do Sul, de acordo autoridades. Entre os mortos, três agentes humanitários foram identificados. Sendo eles, uma enfermeira do Médicos Sem Fronteiras e um voluntário da Cruz Vermelha do Sudão do Sul. Esse cenário de violência se deu no estado de Jonglei, onde dezenas de casa foram destruídas e armazéns pertencentes a grupos de ajuda foram invadidos. Nessa ação, mulheres e gado foram sequestrados.

Apesar de ter sido assinado em fevereiro um tratado destinado a encerrar a guerra civil, que já dura seis anos no país, a violência entre comunidades é constante. Acredita-se que cerca de 800 pessoas tenham morrido neste confronto desde fevereiro. Esse caso se deu na cidade de Pieri e envolve pastores, que dependem do gado, e trabalhadores rurais. Com isso, “milhares de pessoas foram forçadas a fugir para o mato” informa o correspondente da BBC, Emmanuel Igunza. Os profissionais da saúde informam que muitas das vítimas têm ferimentos de bala, sendo que alguns deles precisaram ser transportados para a capital para tratamento. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha informou que sua capacidade de responder à crise foi afetada pela pandemia de coronavírus, visto que foi necessário limitar o número de leitos e restringir as viagens de profissionais de saúde e feridos.

O Special Rapporteur da ONU no Sudão do Sul, David Sheaer, disse que a violência entre os grupos deve parar e que “embora o conflito motivado pela política tenha diminuído no Sudão do Sul, os combates intercomunitário aumentam, causando um enorme sofrimento às famílias que estão tentando reconstruir suas vidas após a devastação causada por anos de guerra civil”. A guerra civil que refletiu em mais de 380.00 pessoas mortas teve um acordo de paz firmado pelo líder rebelde Riek Machar e pelo presidente do país Salva Kiir, mas os surtos de lutas interétnicas continuam ameaçando o tratado frágil. As agências de segurança disseram ter recuperado centenas de armas de fogo ilegais das comunidades em guerra

Fonte: BBC

Disponível em: < https://www.bbc.com/news/world-africa-52745377>

Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul apoia esforços nacionais para resolver casos de tribunais juvenis em meio ao Covid-19

Por Paula de Paula Mattos em 21/05/2020

Fonte: UNMISS – Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul 

O judiciário do Sudão do Sul, em coordenação com o Ministério da Justiça, o Ministério Público, o Serviço Prisional Nacional e os prestadores de assistência jurídica, lideraram uma iniciativa como parte de um esforço nacional para reduzir o atraso de casos que aguardavam julgamento e descongestionar o Centro de Reformas Juvenis (CRJ), em uma medida conjunta para prevenir e responder ao Covid-19.

A Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul (UNMISS) apoiou a restauração e inauguração do Centro de Reformas Juvenis, em novembro de 2019, fornecendo acomodações seguras para os jovens que enfrentam as acusações criminais, buscando garantir que eles pudessem passar o dia no tribunal e que a fiança pudesse ser considerada como uma alternativa à detenção. Desde a sua criação, a UNMISS apoiou o Serviço Prisional Nacional para administrar a nova instalação, desenvolvendo procedimentos padrão, bem como um manual de treinamento para ajudar a fortalecer a prestação de justiça juvenil no Sudão do Sul, além de auxiliar o judiciário e demais serviços de justiça a realizar as audiências em um local alternativo, dentro do CRJ, temporariamente.

Na realização das audiências, os juízes priorizaram a revisão de casos envolvendo crimes menos graves que levaram à concessão de fiança a 85 jovens em prisão preventiva, e outros 40 jovens foram libertados após julgamento, por insuficiência de provas, ou porque já haviam cumprido a pena, contribuindo para reduzir a aglomeração nas penitenciárias durante a pandemia do Coronavírus. Os jovens receberam representação legal gratuita e apoio de assistentes sociais designados pelo Serviço Prisional Nacional. O reagrupamento familiar e outros serviços de apoio também foram organizados em estreita colaboração com o UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

Fonte: UNMISS – Portal de notícias da Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul

Disponível em: <https://unmiss.unmissions.org/unmiss-supports-national-efforts-resolve-juvenile-court-cases-amidst-covid-19>.

Eritreia se torna o primeiro país do leste africano sem casos de COVID-19

Por Luana Paris em 19/05/2020

A Eritreia, em 15 de maio, foi declarada como um país sem pacientes infectados pelo novo coronavírus, após todos os seus 39 casos confirmados terem se recuperado. Isso faz com que o país não tenha nenhum registro de morte por COVID-19 e tenha o resultado de 100% de seus pacientes curados. É o primeiro do leste africano a possuir tal eficácia e o terceiro do continente, atrás apenas de Mauritânia e Maurícia. 

O primeiro caso surgiu no território eritreu em 21 de março, e, desde então, o país se comprometeu com medidas rigorosas quanto ao combate ao vírus, tendo até mesmo lançado uma Força Tarefa de Alto Nível para isso. O foco foi em campanhas de incentivo para que a população permanecesse em casa, caracterizando uma estratégia de contenção que, apesar de adotado por muitos outros países, não tem se mostrado tão bem regulada em alguns casos quanto foi nesse. Entretanto, ainda que tenha todos os pacientes de um Estado recuperados, o governo optou por continuar engajado em suas medidas de contenção, e até mesmo a testagem em massa de sua população será uma prática para garantir o status do país quanto ao COVID-19. A expectativa é que tal conquista se mantenha, mas é importante ressaltar que, em se tratando de um vírus de fácil transmissão, o surgimento de casos suspeitos, pode ainda alterar o posto eritreu. 

Fonte: Ventures Africa – plataforma online que reúne notícias, análises e debates sobre negócios, política, inovação e estilo de vida na África.

Disponível em: <http://venturesafrica.com/eritrea-becomes-the-first-east-african-country-to-tackle-covid-19/>

Djibouti: Governo aprova projeto para geração de energia solar no deserto de Baadha Wayn

Por João Lucas Gomes em 21/05/2020

Djibouti aprovou recentemente uma série de projetos de desenvolvimento, entre ele uma planta de energia solar em Baadha Wayn, um deserto do país que foi formado por lagos secos ao longo de milênios. O projeto é uma parceira público-privada com a empresa francesa Engie, a maior empresa de energia não-estatal do país e a segunda maior produtora de energia da França. A companhia possui operações em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil, sendo .

No Djibouti, a energia produzida por essa planta será distribuída pela malha elétrica da companhia estatal de energia do país, a Electricté de Djibouti (DDE). Quando estiver totalmente em operação , o projeto de 360 milhões de euros terá uma produção esperada de 30MWp, valor suficiente para que a planta seja uma das principais do Djibouti.

Segundo palavras do presidente do país, “esse projeto irá aumentar a capacidade produtiva do país a ponto de atender a sua própria demanda. Ele está alinhado com nossos objetivos de sustentabilidade e desenvolvimento social, além de permitir a criação de diversos empregos”. Atualmente, o país importa parte da sua energia da Etiópia, portanto a criação de novas formas de geração de energia permitiria que o Djibouti alcançasse a independência energética.

Além da planta de energia solar, o Djibouti também investirá em uma fazenda de energia eólica, que terá uma capacidade estimada de 60MW. O projeto é guiado pela Companhia de Ventos do Djibouti, um conjunto de quatro empresas e fundos, sendo três dessas africanas e uma dos Países Baixos e, quando completa, a fazenda permitirá uma independência energética ainda maior do Djibouti.

Fonte: Afrik21 – Divisão  especializada em assuntos africanos de um jornal francês

Disponível em: .

Egito afirma estar disposta a aceitar proposta Etiópia-Sudão para renegociar disputa de barragens

Por Gabriela Vieira Costa em 24/05/2020

No que tange o atual cenário internacional, a negociação da Grande Barragem Etíope do Renascimento (GBER) continua ainda sem uma solução para os atores envolvidos. Nesse contexto, os trâmites da negociação entre Etiópia, Egito e Sudão, que foi assunto dos clippings #55, #56 e #61, passou para uma atmosfera mais cooperativa na última semana, após o Egito afirmar estar disposto a retomar as negociações com os outros agentes envolvidos. Dessa forma, o Ministério das Relações Exteriores egípcio aponta que o país está pronto para chegar a um acordo justo em que os interesses hídricos de todos os atores sejam levados em conta. 

Egito e Sudão temem que a finalização da obra coloque em risco o acesso de suas populações à água do Nilo, portanto, um acordo de cooperação poderia reduzir os impactos provindos do término da construção do reservatório.  Nesse contexto, a declaração do  o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed Ali, propondo o prosseguimento do primeiro estágio do enchimento da barragem em Abril, demonstra uma clara posição de que o país não desistiria da GBER. O ministro das Relações Exteriores do Egito, Sameh Shoukry, afirmou que isso poderia afetar a vida de mais de 100 milhões de egípcios que utilizam da água como meio de subsistência. Entretanto, Gedu Andargahew, ministro das Relações Exteriores da Etiópia, respondeu acusando o Egito de ser obstrucionista e declarou que seu país não possui nenhuma obrigação legal de buscar a aprovação do Egito para prosseguir com a construção da grande barragem.

Nessa conjuntura, a tensão entre Egito e Etiópia aumentou, sendo as negociações com  Hamdok, primeiro ministro do Sudão, e Abiy, as primeiras depois da briga diplomática Egito-Etiópia. Entretanto, enquanto o Egito tenta retomar acordos por meios cooperativos, a Etiópia continua utilizando táticas contenciosas e nega a aprovação de um projeto emergente solicitado pelo Egito no início de 2020. Assim, caso os intermediários das negociações não alcancem um resultado satisfatório para todos, há a possibilidade de um conflito armado afirmado por Cairo em carta ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. 

Fonte: Al Jazeera – Maior canal midiático do Catar.

Disponível em: <https://www.aljazeera.com/news/2020/05/egypt-accepts-ethiopia-sudan-proposal-renegotiate-dam-dispute-200522074723307.html>


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