África Ocidental
O que está por trás das eleições presidenciais no Benim?
Data 15/04/2026
Por Bianca Souza Rosa

Fonte: The Guardian, 2026.
No último domingo (12/04), os cidadãos de Benim foram às urnas para decidir o futuro do poder executivo no país, o momento ocorreu apenas 4 meses após uma tentativa fracassada de golpe de estado. Nessa conjuntura, o pleito eleitoral caracterizou-se pela participação restrita de apenas dois candidatos, Romuald Wadagni, atual ministro das Finanças, e Paul Hounkpe, candidato da oposição. O então presidente, Patrice Talon, não pôde disputar novamente devido à limitação constitucional de dois mandatos.
Antes das eleições, diversos analistas destacaram que Talon havia restringido a participação política ao longo de seu mandato por meio de um conjunto de medidas institucionais. Um exemplo emblemático foi a exclusão do maior partido oposicionista, Les Démocrates, dos boletins de voto. Nesse contexto, o Centro Africano de Estudos Estratégicos, vinculado ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos, concluiu em análise pré-eleitoral que as barreiras impostas à participação dos partidos oposicionistas configuravam um campo político desequilibrado para a corrida presidencial de 2026.
Em meio a essa assimetria política, os resultados provisórios que indicavam a vitória de Wadagni se concretizaram na segunda-feira (13/04) quando o candidato obteve uma vitória expressiva de 94% dos votos. Esse resultado pode ser explicado pela ausência de uma oposição forte e credível, nesse cenário, a eleição foi reconhecida por muitos como uma mera formalidade ou protocolo a ser seguido, já que a vitória de Wadagni era tida como uma certeza. Apesar desse cenário de concentração de poder, o Benim registra agora a quinta transferência pacífica de governo desde a independência, o que o coloca em posição singular como uma das poucas democracias relativamente estáveis da África Ocidental. O novo governo enfrentará pressões relacionadas à segurança nacional, uma vez que o Benim tem sido o estado costeiro da África Ocidental mais afetado pelas incursões de grupos jihadistas provenientes do Sahel central.
Em dezembro, o Benim voltou a ocupar espaço na agenda internacional após uma tentativa frustrada de tomada de poder por parte de oficiais militares. As reivindicações centrais dos líderes golpistas referiam-se ao agravamento da insegurança no norte do país, região em que grupos armados vinculados à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico, provenientes do Sahel, intensificaram ataques contra comunidades locais. Nos últimos anos, diversos países da África Ocidental passaram por golpes de Estado. Entre eles estão os vizinhos do norte do Benim, Níger e Burkina Faso, além de Mali, Chade, Guiné e, mais recentemente, Guiné-Bissau, onde militares tomaram o poder em novembro de 2025, após disputas em torno dos resultados eleitorais.
O Benim enfrenta há anos a propagação da violência no norte de seu território, proveniente de países vizinhos como Burkina Faso e Níger. A chamada região da tríplice fronteira consolidou-se como um foco persistente de extremismo violento, quadro agravado pela ausência de cooperação na área de segurança com Burkina Faso e Níger, ambos atualmente sob governos militares.
Fontes:
AL JAZEERA. What’s at stake in Benin’s presidential election? 11 abr. 2026. Disponível em: <https://www.aljazeera.com/news/2026/4/11/whats-at-stake-in-benins-presidential-election>. Acesso em: 14 abr. 2026.
BBC. Benin’s Wadagni wins presidency by landslide. 13 abr. 2026. Dispoível em: <https://www.bbc.com/news/articles/ckgwwr1n982o>. Acesso em: 15 abr. 2026.
DW. Benim às urnas em eleições presidenciais. 12 abr. 2026. Disponível em: <https://www.dw.com/pt-002/ministro-das-finan%C3%A7as-vence-elei%C3%A7%C3%B5es-presidenciais-no-benim/a-76770310>. Acesso em: 14 abr. 2026.
REUTERS. Benin finance minister expected to coast to presidential election win. 11 abr. 2026. Disponível em: <https://www.reuters.com/world/africa/benin-finance-minister-expected-coast-presidential-election-win-2026-04-12/>. Acesso em: 14 abr. 2026.
THE GUARDIAN. Benin holds presidential election four months after failed coup. 12 abr. 2026. Disponível em: <https://www.theguardian.com/world/2026/apr/12/benin-presidential-election>. Acesso em: 14 abr. 2026.
THE NEW YORK TIMES. Benin’s Finance Minister Wins Presidential Election in Landslide. 14 abr. 2026. Disponível em: <https://www.nytimes.com/2026/04/14/world/africa/benin-election-president-romuald-wadagni.html>. Acesso em 15 abr. 2026.
África Oriental
Somalia says it killed 27 al Shabaab militants with international support
“Somália afirma ter matado 27 militantes do al Shabaab com apoio internacional”
Data: 15/04/2026
Por: Mariana Zica

Com esforços conjuntos das forças armadas da Somália e de atores internacionais não mencionados pelo governo somali, 27 militantes do al-Shabaab foram mortos no estado de Jubbaland, em uma operação apoiada por ataques aéreos.
O grupo fundamentalista al-Shabaab atua principalmente no sul da Somália e possui afiliações com a Al-Qaeda. Seu principal objetivo é derrubar o governo central e instituir uma interpretação rigorosa da lei islâmica, a sharia.
A operação foi realizada em larga escala nas regiões de Lower Jubba e Middle Jubba, e, além das mortes, também resultou na apreensão de armas e minas terrestres. Entre os mortos estavam membros importantes do grupo.
A luta contra o al-Shabaab ocorre há muito tempo, contando inclusive com uma missão de paz da União Africana para apoiar o governo somali. No entanto, o grupo ainda controla vastas áreas rurais e mantém a capacidade de realizar ataques frequentes em grandes centros urbanos.
Fonte:
África Austral
A exclusão da África do Sul da cúpula do G7 não é surpresa, diz Ramaphosa
Data 15/04/2026
Por Anna Beatriz Silvino Ferreira
O presidente Ramaphosa minimizou as notícias de que seu convite para a cúpula do G7, que será realizada na França, teria sido retirado. Segundo ele, a ausência de países que não integram o bloco não deve ser interpretada como algo incomum, já que nem todos são convidados em todas as edições.
Relatórios indicaram que os Estados Unidos teriam exercido pressão sobre a França para revogar o convite, com o presidente Donald Trump supostamente ameaçando boicotar o encontro. No entanto, Ramaphosa afirmou que, de acordo com suas informações, não houve pressão direta de outros países.
O governo francês negou qualquer interferência externa e explicou que a escolha dos convidados seguiu critérios próprios. Foram convidados países como Quênia, Índia, Brasil e Coreia do Sul, com o objetivo de contribuir para a redução de desequilíbrios econômicos globais. Entretanto, representantes sul-africanos, como o porta-voz Vincent Magwenya, afirmaram que houve “pressão sustentada” dos Estados Unidos, o que teria influenciado a retirada do convite inicialmente feito pelo presidente Emmanuel Macron, mesmo o governo sul-africano destacando que a ausência na cúpula não foge do padrão.
O episódio ocorre em um contexto de tensões diplomáticas entre Estados Unidos e África do Sul, envolvendo divergências em áreas como comércio, política externa e questões internas. Apesar disso, autoridades sul-africanas ressaltaram que as relações com a França permanecem estáveis, sem impactos diretos decorrentes dessa situação.

Fonte: BBC, 2026
FONTE: South Africa’s President Cyril Ramaphosa downplays reports of French G7 snub amid US pressure claims
France denies excluding South Africa from G7 summit under pressure from Washington | Reuters
Cone Sul
Chile implementa muro com uso de drones para frear a imigração informal
Data: 15/04/2026
Por Karina Rodrigues da Fonseca
O novo presidente do Chile, José Antonio Kast, determinou no dia 16 de março de 2026, a criação de muro e valas para frear a imigração irregular, uma das pautas principais de seu governo. A ação está dentro do projeto chamado “Plan Escudo Fronterizo” e levará três meses para sua conclusão na fronteira com a Bolívia, região que engloba Arica, Tarapacá e Antofagasta. O muro contará com vigilância militar e uso de tecnologias avançadas como drones, sensores ópticos, câmaras térmicas, sensores de movimento e biometria.
Conjuntamente, a iniciativa terá a participação das forças armadas e da polícia de investigação (PDI) na região para estudar e realizar propostas de combate ao narcotráfico e ao crime organizado. Além da criação do muro, o projeto também prevê a criminalização da imigração irregular, o que, se efetivada, implicará um grande esforço das instituições de fiscalização, além da sobrecarga do sistema carcerário.
A maioria da imigração informal no Chile provém da Venezuela, totalizando 336.000 imigrantes não documentados no país. Em discurso, o presidente chileno Kast classificou os imigrantes irregulares como “adversários reais” e considera a ação como um ato de proteção da soberania chilena. Com essa iniciativa, a equipe de Kast espera uma redução de pelo menos 40% das imigrações irregulares no país nos primeiros três meses e 80% em seis meses, além da expectativa de redução do crime organizado em 50% em meio ano.
FONTE:
EL PAÍS. Fronteras cerradas, zanjas y drones: Kast echa a andar su plan para frenar la migración irregular. Link: https://elpais.com/chile/2026-03-13/fronteras-cerradas-zanjas-y-drones-kast-echa-a-andar-su-plan-para-frenar-la-migracion-irregular.html Acesso em 13 de abril de 2026
EL MUNDO. Kast lanza en la frontera norte de Chile la construcción de muros y zanjas para frenar la inmigración irregular. Link: https://www.elmundo.es/internacional/2026/03/16/69b87160e9cf4adb348b459c.html Acesso em 13 de abril de 2026
