Países Amazônicos
Bolívia e Chile sinalizam retomada de laços diplomáticos após cinco décadas
Data: 04/05/2026
Por Vinicius Oliveira da Silva
Bolívia e Chile expressam sua vontade de restabelecer relações diplomáticas após mais de 50 anos de seu rompimento. As tensões entre os dois países se iniciaram nas disputas territoriais e marítimas devido aos resultados da Guerra do Pacífico (1879-1884). O conflito se iniciou devido a um desentendimento acerca de tarifas impostas sobre empresas chilenas que operavam no território boliviano. Os dois países tinham um acordo de que empresas chilenas poderiam operar sem aumento de impostos por 25 anos, contudo, em 1878 a Bolívia rompeu com esse tratado, o que culminou na ocupação do porto de Antofagasta em 1879 e no início do conflito armado.
Como consequência, devido à discrepância das forças militares entre os dois países, especialmente a superioridade do poderio militar chileno, a Bolívia perdeu aproximadamente 158.000 km² do seu território, ocupação essa formalizada em 1904 através do Tratado de Paz e Amizade. Mesmo que o acordo tenha sido firmado através do comprometimento chileno para o livre trânsito de mercadorias bolivianas, a perda do acesso ao pacífico foi entendida como uma humilhação nacional, tornando a recuperação do acesso soberano ao oceano objetivo central de sua política externa. Em 1978, após o fracasso das negociações entre os ditadores Hugo Banzer (Bolívia) e Augusto Pinochet (Chile), os dois países romperam relações diplomáticas. Porém, a chegada ao poder de José Kast da ultradireita (Chile) e de Rodrigo Paz da centro-direita (Bolívia) sinalizam uma retomada das relações bilaterais com o chanceler boliviano reforçando as intenções de estabelecer uma agenda comum que contribua para o restabelecimento das relações diplomáticas.
Fontes:
BOLÍVIA e Chile expressam vontade de restabelecer relações diplomáticas após 50 anos. G1, 24 abr. 2026. Disponível em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/04/24/bolivia-e-chile-expressam-vontade-de-restabelecer-relacoes-diplomaticas-apos-50-anos.ghtml. Acesso em: 18 maio 2026.
BUENO, Guilherme. Disputa entre Bolívia e Chile: Acesso ao Mar, Conflitos Históricos e Decisões da Corte Internacional de Justiça. Relações Exteriores, 14 jun. 2025. Disponível em: https://relacoesexteriores.com.br/bolivia-chile-disputa-mar-corte-internacional/. Acesso em: 18 maio 2026.
África Ocidental
Nigéria retira acusação de terrorismo contra Ex-Ministro da Justiça e seu Filho
Data: 15/04/2026
Por Beatriz Ferreira

Fonte: AllAfrica, 2026.
Na quarta-feira 15/04/2026, o governo federal nigeriano substituiu a acusação de financiamento de terrorismo contra o ex-Procurador-Geral e Ministro da justiça Sr. Abubakar Malami, SAN (sigla utilizada após o sobrenome de advogados que ocupam o mais alto posto no sistema jurídico nigeriano) e seu filho, Abdulaziz, pela acusação de posse ilegal de armas de fogo. Abubakar Malami atuou como Ministro da Justiça de 11 de novembro de 2015 a 29 de maio de 2023, durante o governo do presidente Muhammadu Buhari que, teve grande influência de Malami na recuperação de ativos e no combate contra à lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo.
Sua família também mantém grande influência na política nigeriana, Malami é casado com a filha do ex presidente Muhammadu Buhari, o que lhe garantiu mais proximidade as elites políticas do país. Seu filho Abdulaziz é advogado e empresário, porém as acusações proferidas a sua família dificultam o desenvolvimento de sua carreira. O governo federal, através de sua equipe de advogados lideradas pelo Sr. Akinlolu Keihinde, SAN, solicitou que a acusação fosse substituída pela suposta posse ilegal de armas e munição, que foram encontradas na residência de Malami em Birnin.
O ex-procurador-geral e seu filho, responderam às acusações com declarações de inocência, em que Malami ressalta que seu histórico nos cargos de ministro da justiça e procurador-geral contradizem essas acusações. Outro ponto salientado por Malami é que essas acusações são, na verdade, resultados das perseguições políticas de seus opositores, na tentativa de prejudicar sua reputação e desestabilizar figuras políticas ligadas ao ex presidente Buhari nas eleições presidenciais que devem ocorrer em 2027.
O advogado de defesa, Sr. Shuaibu Arua, SAN, convenceu o tribunal a permanecer com o valor de fiança que já havia sido estabelecido para a acusação de financiamento de terrorismo, proferida em 27 de fevereiro, pela juíza de primeira instância Joyce Abdulmalik, que consiste em 200 milhões de nairas nigerianas para um cada dos réus.
No entanto, mesmo com a declaração de inocência Ababukar Malami e seu filho ainda enfrentam desafios vindos da acusação de posse ilegal de arma de fogo e da perseguição política destacada por estes. Essas acusações trouxeram um impacto significativo para a sociedade nigeriana, que se encontra em uma crise de corrupção e abuso de poder, gerando tensões políticas para as eleições presidenciais de 2027.
Fontes:
ALLAFRICA. Nigeria: Govt Drops Terrorism Charge Against Malami, Son-Re-Arraings Them for Arms Possesion. 15 abr 2026. Disponível em: Nigeria: Govt Drops Terrorism Charge Against Malami, Son – Re-Arraigns Them for Arms Possession – allAfrica.com. Acesso em: 15 abr.2026.
BBC. Wat are the allegations against former Minister of Justice Abubakar Malami during the EFCC detention? 16 dez 2025. Disponível em: https://www.bbc.com/pidgin/articles/c058v2grgl5o. Acesso em: 15 abr 2026.
BBC. Nigeria presidential election 2027 go hold on February 20. 13 fevereiro, 2026. Disponível em: https://www.bbc.com/pidgin/articles/cz6el1nv79yo. Acesso em: 15 abr 2026.
THE NATION. EFCC detains Malami over alleged terrorims financing. 9 dez 2025. Disponível em: https://thenationonlineng.net/breaking-efcc-detains-malami-over-alleged-terrorism-financing/. Acesso em: 15 abr 2026.
VANGUARD. FG drops terrorismo charge Against Malami, son; re-arraings them for Arms possesion. 15 abr 2026. Disponível em: https://www.vanguardngr.com/2026/04/fg-drops-terrorism-charge-against-malami-son-re-arraigns-them-for-arms-possession/. Acesso em: 15 abr 2026.
África Oriental
O reconhecimento da Somalilândia por Israel e a ameaça à unidade somali
Data 22/04/2026
Por Helena Borella Oliveira

Fonte: dw.com
No dia 26 de dezembro de 2025, o primeiro país do mundo a reconhecer oficialmente a Somalilândia como um Estado independente foi Israel. A decisão israelense representa uma ameaça de fragmentação total do Estado somali e abala a frágil unidade da Somália, que teve sua independência proclamada em 1960. Tal medida inflama as tensões com grupos separatistas que tiveram seus desejos minados, considerando que, em 35 anos, a Somalilândia não havia sido reconhecida por nenhum chefe de Estado ou governo africano, e a União Africana (UA) tem se recusado repetidamente a aceitar suas tentativas de separação.
Após o reconhecimento do território como Estado independente, Israel enviou seu ministro das Relações Exteriores em uma visita oficial à Somalilândia ato considerado ilegal pelo governo somali, onde, ao lado de Abdirahman Mohamed Abdullahi, afirmou a soberania da região. Juntos, anunciaram planos para abrir embaixadas e realizar a troca de embaixadores. Internacionalmente, o reconhecimento de Israel foi visto como ilegal, pois destrói décadas de consenso sobre a integridade territorial da Somália. Assim, tal ação abre margem para uma fragilidade ainda maior na unificação do país e, além de ignorar a soberania somali, apaga a importância das decisões históricas tomadas para a formação do território.
A União Africana (UA) reagiu por meio de uma declaração, considerando a ação do Estado israelense “nula, sem efeito e sem validade jurídica sob o direito internacional”, exigindo sua “revogação imediata”. Nesse contexto, a pedido da Somália, as Nações Unidas convocaram uma reunião de emergência dos membros do Conselho de Segurança. Todos os 15 membros denunciaram Israel, com exceção de seu principal patrocinador, os Estados Unidos da América (EUA).
A busca pela independência da Somalilândia revela não só um desejo local, mas também um contexto de divisão colonial que se perpetua até os dias de hoje. O reconhecimento de Israel sobre a Somalilândia força o Estado somali a buscar a reafirmação de sua integridade territorial frente a mais um fator que tende a desestabilizar a geopolítica do Chifre da África e a ignorar a soberania da Somália sobre seu próprio território
Fonte:
CONNIE, Robert. Os Estados Unidos estão se preparando para dividir a Somália. Revista Opera, 27 fev. 2026. Disponível em: https://revistaopera.operamundi.uol.com.br/2026/02/27/os-estados-unidos-estao-se-preparando-para-dividir-a-somalia/. Acesso em: 18 maio 2026.
África Austral
O Despertar do Urso no Sul: A nova influência Russa na África Austral
Data: 22/04/2026
Por Ana Cláudia Silva Viegas
Desde a invasão aérea, marítima e terrestre contra a Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, a Rússia passou a buscar parceiros fora do eixo Europa-América do Norte em resposta às sanções ocidentais. Nesse movimento, a ampliação de horizontes intensificou a troca com a África Austral, porção africana que contou com o apoio da União Soviética durante a Guerra Fria, por meio de acordos militares, financeiros e ideológicos, além do suporte a movimentos insurgentes nacionais. A abundância de minerais e uma posição geoestratégica que abrange os oceanos Atlântico e Índico também contribuem para o ressurgimento da região como um campo mais ativo para a diplomacia russa. Dessa forma, Moscou passou a oferecer apoio diplomático, parcerias de segurança e cooperação econômica seletiva, vistas pelas nações da África Austral como alternativas relevantes em meio a uma ordem global fragmentada.
No entanto, o quanto essa atuação é simbólica, ao invés de transformadora, é questionável. A Rússia apela para a rejeição de uma hegemonia ocidental, oferecendo aos estados africanos um parceiro alternativo, mas a política externa de Moscou depende excessivamente do simbolismo, sem muitos benefícios tangíveis para estas nações. Essa limitação é dada pela sua fragilidade econômica, diante das sanções, da geografia complexa e de uma economia estagnada, limitando a capacidade de investimento e colocando-se em desvantagem no comércio, na ajuda e no fornecimento de infraestrutura na África, em comparação com atores economicamente mais poderosos, como a China, a União Europeia, os Estados Unidos e até mesmo os países do Golfo.
A influência russa na África Austral manifesta-se na expansão diplomática – com embaixadas em 13 dos 16 Estados-membros da SADC – e na intensificação das relações com a África do Sul, Moçambique, Angola e demais países da região. No viés econômico e de segurança, a presença russa permanece estruturalmente limitada. Em 2024, respondeu por pouco mais de 1% do comércio exterior da África Austral, frente a mais de 22% da China e mais de 15% da União Europeia, atuação concentrada em nichos como fertilizantes e mineração.No setor de defesa, embora a Rússia tenha liderado o fornecimento de armas à região entre 2018 e 2022 (26%), sua participação caiu para 17% entre 2019 e 2023, enquanto a China atingiu 19%. No campo do soft power, a inserção russa na África Austral apoia-se em educação e mídia, em linha com estratégias herdadas da era soviética. Bolsas de estudo e a atuação de veículos estatais permanecem instrumentos centrais de projeção de influência
Em síntese, apesar da densidade histórica dos vínculos e da persistente convergência diplomática em determinados fóruns, a projeção russa na África Austral revela-se estruturalmente limitada: carece de capacidade para rivalizar com o peso financeiro de China e potências ocidentais, enfrenta constrangimentos impostos por sanções e dificuldades logísticas, e oferece benefícios econômicos ainda pouco tangíveis. Nesse contexto, sua influência tende a apoiar-se mais na reativação de capital político histórico e em instrumentos simbólicos do que em uma presença material capaz de sustentar, de forma duradoura, uma reconfiguração do equilíbrio regional.
Fontes:
GRUZD, Steven; VON TRESKOW, Friedrich. The Bear Down South: Russia’s Relations With Southern Africa. SAIIA, 26 fev. 2026. Disponível em: https://saiia.org.za/research/the-bear-down-south-russias-relations-with-southern-africa/. Acesso em: 18 maio 2026.
GRUZD, Steven; VON TRESKOW, Friedrich. The Bear Down South: Russia’s Relations with Southern Africa. In: REYNOLDS, Nate; BROWN, Frances Z.; WEHREY, Frederic; WEISS, Andrew S. (ed.). Russia in Africa: Examining Moscow’s Influence and Its Limits. Washington, DC: Carnegie Endowment for International Peace, 26 fev. 2026. Disponível em: https://carnegieendowment.org/russia-eurasia/research/2026/02/russia-role-west-southern-africa-junta-wagner-africa-corps#the-bear-down-south-russias-relations-with-southern-africa. Acesso em: 18 maio 2026.
Países Amazônicos
Colômbia sofre ondas de ataques contra civis um mês antes de eleições presidenciais.
Data 30/04/2026
Por Rafaela Scarpelli Pereira
Um mês antes das eleições presidenciais, a Colômbia sofreu diversos ataques na sexta-feira, 21 de abril, os quais resultaram em 21 mortes e 56 feridos. As ações foram realizadas por grupos dissidentes das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e ocorreram por meio do uso de drones explosivos, carros-bomba, disparos de armas de fogo e granadas. Os principais alvos incluíram a região de Cali, bases militares, uma rodovia e áreas urbanas.
O presidente colombiano, Gustavo Petro, afirma haver indícios de que os ataques tenham sido planejados por Iván Mordisco, líder de facções dissidentes das FARC e opositor ao acordo de paz promulgado em 2024. Tais ações teriam como objetivo fomentar instabilidade e caos no período pré-eleitoral. Todos os candidatos à presidência manifestaram-se de forma veemente contrários aos atos de violência, destacando a segurança pública como um dos principais temas do debate eleitoral.
Fontes:
Quem é Iván Mordisco, criminoso mais procurado da Colômbia, apontado como sucessor de Escobar, que está por trás de ataques no país. G1, 28 abr. 2026. Disponível em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/04/28/quem-e-ivan-mordisco-criminoso-mais-procurado-da-colombia-apontado-como-sucessor-de-escobar-que-esta-por-tras-de-ataques-no-pais.ghtml. Acesso em: 18 maio 2026.
Atentados com bombas atingem a Colômbia e reacendem sombra das Farc a um mês das eleições presidenciais. G1, 25 abr. 2026. Disponível em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/04/25/atentados-com-bombas-atingem-colombia.ghtml. Acesso em: 18 maio 2026.
Cone Sul
Governo Milei proíbe entrada de jornalistas credenciados na Casa Rosada
Data: 27/04/2026
Por Barbara Rodrigues Xavier
O presidente da Argentina, Javier Milei, bloqueou a entrada de jornalistas credenciados na Casa Rosada, sede do governo argentino, por suspeita de espionagem. Os jornalistas ao chegarem à Casa Rosada tiveram suas biometrias canceladas e o acesso da imprensa foi temporariamente bloqueado pelo governo por razões de “segurança nacional”, após acusação de dois jornalistas de espionagem ilegal por filmarem o prédio oficial sem autorização, a emissora de TV que não foi divulgada. O governo argentino justificou o feito ao tratá-lo como uma medida preventiva e temporária, mas não informou a duração da restrição até o momento.
O fato aconteceu logo após uma denúncia apresentada pela Casa Militar contra um programa de televisão por filmagens feitas sem autorização dentro da Casa Rosada. A medida ganha maior ênfase, pois o presidente é conhecido por ataques diretos à imprensa, como divulgado em suas redes sociais oficiais, Milei postou uma foto de jornalistas e os chamou de “escória nojenta”. E nas últimas semanas, intensificou ainda mais seus insultos e críticas por meio de suas redes sociais.
Essa proibição foi inédita na história da democracia argentina, nem durante a ditadura militar, tal feito foi ocorrido, segundo o jornal Clarín. Além disso, o Fórum Argentino de Jornalismo (Fopea) enfatizou que proibir o acesso ao palácio presidencial para jornalistas que trabalham regularmente lá é “uma medida de extrema gravidade institucional, pois altera as condições básicas para a cobertura jornalística do principal ambiente operacional do Poder Executivo Nacional”.

Fontes:
G1. Governo Milei proíbe entrada de todos os jornalistas à Casa Rosada por suspeita de espionagem. G1, 23 abr. 2026. Disponível em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/04/23/governo-milei-proibe-entrada-de-todos-os-jornalistas-a-casa-rosada-por-suspeita-de-espionagem.ghtml. Acesso em: 27 abr. 2026.
CLARÍN. El Gobierno les prohibió a todos los periodistas acreditados el ingreso a la Casa Rosada. Clarín, 23 abr. 2026. Disponível em: https://www.clarin.com/politica/gobierno-prohibio-periodistas-acreditados-ingreso-casa-rosada0__ThcEbPpO3F.html. Acesso em: 27 abr. 2026.
EL PAÍS. Milei cierra la Casa Rosada a la prensa acreditada en medio de escándalos de corrupción. El País, 23 abr. 2026. Disponível em: https://elpais.com/argentina/2026-04-23/milei-cierra-la-casa-rosada-a-la-prensa-acreditada-en-medio-de-escandalos-de-corrupcion.html. Acesso em: 27 abr. 2026
