Clipping Chifre da África #64

Escalada nas tensões na fronteira entre Sudão e Etiópia

Por Luana Paris em 05/06/2020

A fronteira do Sudão com a Etiópia sofre com problemas de delimitação há muito tempo. Grupos etíopes, por décadas, têm ultrapassado as fronteiras e ocupado a área agrícola sudanesa de al-Fashga, utilizando-a para cultivo, e isso é motivo de tensões com os sudaneses locais. Na última semana, entretanto, a situação escalou, devido a um ataque de uma milícia etíope, que matou um oficial do exército sudanês e uma criança em Barakat Nourain, em Gadaref. Além disso, três civis e outro oficial sudanês ficaram feridos. 

Após a deposição do presidente Omar al-Bashir, o Sudão encontra-se em um governo de transição, e o novo governo não se mostra tão tolerante a essa situação quanto o antigo. Entretanto,  o exército sudanês relatou defender soluções pacíficas, assim como a Etiópia e o Sudão também iniciaram contatos diplomáticos para avaliar os ocorridos e chegarem a uma resolução. 

Alguns relatórios dizem que a tensão na fronteira pode ter se originado nas questões da represa que a Etiópia está construindo no Nilo Azul e que vem sendo motivo de desacordos com Egito e Sudão. Ademais, foi observado um movimento nacionalista emergente a partir do apoio ao exército sudanês, em que a população espera e incentiva a defesa de seu território. 

Fonte: Middle East Eye

Disponível em: <https://www.middleeasteye.net/news/sudan-ethiopia-border-tensions-brew-despite-diplomacy>

 

Somália diz que 8 trabalhadores “muito jovens” foram sequestrados e mortos

Por Maria Isabel Fortunato em 07/06/2020

Em Mogadíscio, capital da Somália, oito trabalhadores humanitários foram sequestrados e mortos por um grupo armado. O ataque ocorreu em uma unidade de saúde administrada por uma Organização Não Governamental local, a Fundação Zamzam. Em comunicado, a ONG informou que os trabalhadores foram sequestrados por homens armados na quarta-feira, 27 de maio, e seus corpos foram encontrados no dia seguinte.

O ministro de Assuntos Humanitários, Hamza Said Hamza descreveu essa ação como uma “execução brutal” e destacou que ataques contra agentes humanitários comprometem o acesso à ajuda necessária, especialmente durante a pandemia do COVID-19. Em sequência, Mohamed Abdi Ware – líder do estado de Hirshabelle e ex-agente humanitário – descreveu os assassinatos como “os mais dolorosos” e informou que havia designado uma força-tarefa para investigar. Além desses comunicados, o escritório da Organização Mundial da Saúde na Somália também se pronunciou, condenando o ataque como “bárbaro e hediondo”.

 O grupo armado ainda não foi identificado. O país continua sendo ameaçado pelo Al Shabab, que se mostra hostil a ajudar os trabalhadores humanitários. A Somália continua sendo um dos lugares mais perigosos do mundo para os trabalhadores humanitários.

Fonte: ABC News – divisão de jornalismo da American Broadcasting Company, um conglomerado de radiodifusão comercial dos Estados Unidos.

Disponível em: <https://abcnews.go.com/International/wireStory/somalia-young-aid-workers-abducted-killed-70950147 >

 

Revolta sudanesa: Luta civil, sacrifícios da elite, e uma revolução traída

Por João Lucas Gomes em 05/06/2020

Em um relatório publicado no dia 5 de junho pela Small Arms Survey, um grupo de pesquisa suíço que é reconhecido internacionalmente por pesquisas na área de segurança e violência armada, o futuro da recente revolução sudanesa foi estudada.

Entre os principais achados da pesquisa estão as razões que levaram as revoltas de 2018 e 2019 e os resultados da revolução para a coalizão civil que buscou remover o ditador Omar al-Bashir do poder.

Quanto às razões, o artigo cita a longa crise econômica e desenvolvimento desigual do país, tudo isso catalisado por um setor de segurança inflacionado, altos gastos no combate a movimentos insurgentes, corrupção endêmica e sanções econômicas dos Estados Unidos da América. Além disso, é citado como o governo do então ditador vinha sofrendo pressões internas desde 2011, com o chefe das suas forças de inteligência passando a trabalhar em conjunto com outros Estados para conseguir derrubá-lo do poder.

Já quanto ao futuro da revolução para a coalizão civil, o relatório conclui que embora tenham conseguido derrubar o ditador, as concessões feitas aos grupos paramilitares com um governo de transição que durará pelo menos 39 meses, pode significar que a almejada revolução civil e o governo democrático poderão não se realizar, causando ainda mais sofrimento e violência no país.

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Descrição: Kandaka, mulher que se tornou simbolo da revolução sudanesa (BBC News em 09/04/2020)

Fonte: Reliefweb – Serviço de informações do escritório da ONU para assuntos humanitários.

Disponível em: <https://reliefweb.int/report/sudan/sudan-uprising-popular-struggles-elite-compromises-and-revolution-betrayed-june-2020>.

 

 


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