Clipping Chifre da África #66

Somália enfurece-se com laços diplomáticos entre Taiwan e Somalilândia

Por Juliana Rossi em 21/08/2020

Após Taiwan decidir abrir um escritório representativo na Somalilândia, república autodeclarada em 1991 e sem  amplo reconhecimento internacional como um Estado, a Somália ameaçou o Taiwan com medidas de retaliação se continuasse com a aproximação. O escritório representativo consiste no estabelecimento de uma empresa em determinado país com o propósito de promover indiretamente seus serviços em um país estrangeiro.  Nesse sentido, o ministro somali de Relações Exteriores, Ahmed Issa Awad, ressaltou a importância de Taiwan consultar o país antes de interagir com o território separatista, ressaltou, entretanto, que o governo não é  contra o desenvolvimento econômico de nenhuma região da Somália, desde que não haja violação da integridade territorial do país. Vale ressaltar que o governo da Somália recentemente quis melhorar sua relação com a república autodeclarada, e tem a esperança de que ela pertença novamente ao país, mesmo que já tenha sido declarado pelos separatistas que a reintegração não seja uma opção novamente. 

Nesta conjuntura, os Estados Unidos publicaram na rede social Twitter uma nota que  apoia Taiwan por ter estabelecido laços diplomáticos com a Somalilândia. Entretanto, a China condenou a decisão de Taiwan, dando continuidade a decisões anteriores que têm incentivado as nações africanas a cortar laços com Taiwan, apenas o país Suazilândia , pertencente a África Austral, tem laços mantidos com o país.

Fonte:<https://www.britannica.com/place/Somaliland>

Fonte: Nation – Jornal independente do  Quênia

Disponível em:

<https://www.nation.co.ke/kenya/news/africa/somalia-fumes-over-taiwan-somaliland-diplomatic-ties–1921254>

Papa pede diálogo entre Egito, Etiópia e Sudão sobre represa no Nilo

Por Lorrayne Batista em 21/08/20

A Grande Represa do Renascimento da Etiópia, uma gigante hidrelétrica localizada a aproximadamente 15 quilômetros de distância da fronteira etíope-sudanesa, é o epicentro de uma discórdia entre Egito, Etiópia e Sudão. A divergência entre os Estados está relacionada à preocupação egípcia por uma possível escassez de abastecimento hídrico no seu território caso a construção da represa seja concluída, o que culminou na exigência de que o acordo entre esses países incluísse garantias  de reposição hídrica para o Egito em caso de seca. Esta conjuntura define um cenário instável entre tais Estados e estremece a possibilidade de cooperação entre eles.

Dessa forma, a situação entre esses países chamou a atenção do líder mundial da Igreja Católica, o Papa Francisco, que durante a celebração de uma das mais importantes datas para a religião, a Assunção de Maria, proferiu um discurso que incluía um apelo aos envolvidos no litígio para que evitem a evolução do desentendimento a um conflito direto.  Em sua declaração, o religioso rogou para que o rio Nilo “sempre seja uma fonte da vida, que una e não divida, que nutra amizade, prosperidade e fraternidade; e não inimizade, desentendimentos e conflitos”. 

Fonte: MEMO (Monitor do Oriente Médio) – rede online de monitoramento de mídia que vai além da cobertura Ocidental do Oriente Médio. 

Disponível em: <https://www.monitordooriente.com/20200816-papa-pede-dialogo-entre-egito-etiopia-e-sudao-sobre-represa-no-nilo/&gt;.

Esvaziando: Sudão do Sul está sem reservas de câmbio

Por Júlia Oliveira em 21/08/2020

O Sudão do Sul encontra-se diante de uma crise, que teve como consequência o enfraquecimento de sua moeda. Isto ocorreu devido a diversos fatores, dentro dos quais é válido destacar a queda na produção de petróleo, a corrupção e os conflitos que o país tem enfrentado há anos. Tudo isto resultou no fim das reservas de moeda estrangeira e, por conseguinte, na desvalorização da libra sul-sudanesa. Atualmente, o país possui três taxas de câmbio, sendo uma do banco central (em que a taxa da libra por um dólar é de 165), outra dos bancos comerciais (em que a taxa da libra por um dólar é de 190) e, por fim, uma do mercado não oficial (em que a taxa da libra por um dólar é de 400).

Considerando que o petróleo bruto é a maior fonte da receita do país, a sua queda – de um pico de 250.000 barris por dia, de antes do início da guerra civil em 2013, para 180.000 barris por dia, no momento atual – acarreta um grande desafio para a economia e, consequentemente, para as reservas do Sudão do Sul. Desta forma, a corrupção dentro do Estado, somada à questão do petróleo supramencionada, dificultam ainda mais a conjuntura do país, uma vez que determinados funcionários têm utilizado o banco central de forma inadequada.

Do mesmo modo, as consequências do fim da guerra civil (em 2018) – que deixou aproximadamente 400.000 mortos, cerca de um terço da população deslocada e que, ainda, gerou a maior crise de refugiados africana das últimas duas décadas – juntamente com os desentendimentos do atual presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, e do primeiro vice-presidente, Riek Machar, também apresentam enormes dificuldades para o atual cenário do país e, portanto, maiores empecilhos para uma possível solução dos atuais problemas econômicos do Sudão do Sul. Sendo assim, tem-se que o país encontra-se diante de diversas crises, as quais culminaram no esgotamento de suas reservas e, como efeito, na desvalorização de sua moeda.

Fonte: Aljazeera

Disponível em: <https://www.aljazeera.com/ajimpact/running-empty-south-sudan-foreign-exchange-reserves-200820001658999.html>.

Djibouti estabelece acordo com o UNFPA para a realização de um censo populacional e habitacional

Por Ana Carolina Diniz Paiva em 22/08/2020

Durante uma reunião no Instituto Nacional de Estatística do Djibouti (INSD), o diretor da instituição, Idriss Ali Soultan, recebeu a gestora djibutiana do escritório do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Aïcha Ibrahim Djama, para discutir as atividades preparatórias para a implementação de um censo populacional e habitacional no país. Ao agradecer e parabenizar o UNFPA pelo processo de coleta, análise e divulgação de dados censitários, o diretor do INSD ressaltou a necessidade de se coletar tais informações de forma rápida e precisa. Num contexto de pandemia e de convulsões demográficas, enfrentadas hoje a nível global, essas medidas são cruciais para a gestão adequada da situação, além de serem de extrema necessidade para o desenvolvimento socioeconômico de Djibouti. 

Por sua vez, a representante do UNFPA reconheceu a importância da cooperação entre as duas partes, uma vez que o fundo fornece ferramentas de apoio à produção e utilização de dados essenciais para se obter uma previsão econômica pertinente. Ela ainda acrescentou que “os censos também servem como base de amostragem para pesquisas nacionais e as informações delas extraídas são fundamentais para monitorar os esforços de desenvolvimento”, reafirmando a relevância dessas medidas para o país. 

Fonte: La Nation – principal jornal do Djibouti. Fundado logo após a independência do país em 1977.

Disponível em: <https://lanation.dj/insd-fnuap-la-mise-en-place-dun-accord-commun-pour-la-realisation-prochaine-dun-recensement-de-la-population-et-de-lhabitat/>.

Etiópia define limite de retenção de dinheiro para evitar “entesouramento”

Por Maria Eduarda Souza Satlher em 23/08/20

Nos últimos anos, a economia da Etiópia vem sofrendo com a alta liquidez e a acumulação de moeda em espécie, nesse sentido, a circulação de moeda informal entre as pessoas superou a circulação formal nos bancos. Sendo assim, os investimentos feitos eram retirados antes mesmo de terem uma rentabilidade significativa, trazendo pressão negativa a economia. Esta alta movimentação de dinheiro físico trouxe ao país a necessidade gastar também com sua reimpressão, uma vez que durante o curso, as notas sofrem danificações, o que prejudica a eficiência dos seus recursos de segurança. Em razão disso, o governo etíope alertou a população sobre o fato e os orientou a evitar escrever ou rasgar as notas.

Dado essa problemática, a fim de resolvê-la, na terça feira (18) a Etiópia definiu um limite na quantidade de dinheiro em espécie que cada empresa ou indivíduo pode manter retido, gerando penalidades a quem não cumprir esta medida. Nesse sentido, foi estabelecido aos agentes que necessitam reservar esse dinheiro fisicamente o máximo de 1,5 milhão de birr etíope ($ 42,400). O governador do Banco Nacional, Yinager Dessie, afirma que a Etiópia tem se esforçado para expandir serviços digitais que potencializam e aumentam o uso das transações formais, possibilitando, assim, a queda na circulação informal de moeda. 

Além disso, esse tipo de problema econômico tem se revelado comum em outros países da região do Chifre da África, conforme já apresentado neste clipping. Um exemplo marcante deste fato é a questão do Sudão do Sul, país fronteiriço com a Etiópia, que vem sofrendo com a alta desvalorização de sua moeda, dado a falta de reservas internacionais no país. Os sul-sudaneses enfrentam uma taxa sobre a libra de 400 o dólar no mercado paralelo, acarretando na alta dos preços, baixo poder de compra e incertezas econômicas. Dessa maneira, pode-se fazer um paralelo com o problema que a Etiópia vinha enfrentando, já que o excesso de moeda informal em circulação, aumenta inflação e também diminui o poder de compra.

Fonte: AA (Anadolu Agency) – Agência de notícias estatal com sede em Ancara, Turquia.

Disponível em: <https://www.aa.com.tr/en/africa/ethiopia-sets-cash-holding-limit-to-prevent-hoarding/1945518>.


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