Clipping #68 – Chifre da África

“Finding Sally” ganha o Prêmio Adiaha para documentaristas africanas em 2020

Por Ana Carolina Diniz Paiva em 10/09/2020

O Prêmio Adiaha de melhor documentário feito por uma mulher africana, tem o propósito de reconhecer e incentivar as mulheres de todo o continente africano a compartilhar suas histórias por meio de longa-metragens. A edição deste ano, que ocorreu no dia 30 de agosto, foi apresentada pela “Ladima Foundation” no “Encounters South African International Documentary Festival”, em sua 22º edição, e primeira realizada totalmente online. A “Ladima Foundation” é uma organização pan-africana sem fins lucrativos, cujo principal objetivo é fornecer meios que contribuam para melhorar o cenário de desigualdade de gênero no meio cinematográfico e de produção de conteúdo.

O vencedor do prêmio recebe US $2.000 para sua próxima produção e é convidado à participar do “Dortmund Cologne International Women’s Film Festival” em 2021 na Alemanha, no qual seu filme será exibido. O júri, composto somente por mulheres, selecionou, por unanimidade, as três primeiras colocações. Em terceiro, ficou “Beyond My Steps”, de Kama Lara. Em segundo lugar, “Mother to Mother”, de Sara de Gouveia. E o grande vencedor foi “Finding Sally, de Tamara Mariam Dawit (diretora etíope). Theresa Hill enfatizou a “exploração comovente da história pessoal e coletiva” no documentário. Ainda, acrescentou: “a cineasta questiona noções de família, identidade, pertencimento, convicção pessoal, idealismo e engajamento político. Este filme não é apenas sobre a história da família, não é apenas pessoal. É sobre a história de um país.”

Para mais informações sobre o Prêmio Adiaha e acesso ao trailer do documentário vencedor deste ano, acesse o link: <https://ladima.africa/adiaha-awards/>

Para mais informações sobre o documentário, acesse o link: <https://catbirdproductions.ca/en/productions/finding-sally>

Fonte: Capital Ethiopia Newspaper – jornal etíope fundado em dezembro de 1998 e se autodenomina “o jornal que promove a livre empresa”.

Disponível em: <https://www.capitalethiopia.com/arts-and-culture/the-ladima-foundation-adiaha-award-2020-presented-to-finding-sally/>

Djibouti participa da 154ª sessão do Conselho da Liga dos Estados Árabes

Por Júlia Oliveira em 10/09/2020

Mahmoud Ali Youssouf, Ministro das Relações Exteriores e Cooperação Internacional do Djibouti, participou, por videoconferência, da 154ª sessão ordinária do Conselho da Liga dos Estados Árabes a nível de Ministros das Relações Exteriores. Na reunião, foram tratadas diversas pautas sobre as questões árabes, dentro das quais pode-se destacar a causa palestina, no que se refere aos diversos desdobramentos que vêm ocorrendo na região nos últimos tempos, como também os desenvolvimentos da crise da Líbia. Além disso, foram abordados, na sessão, outros temas atuais, como as questões sociais e de saúde, no que tange ao combate do coronavírus, por exemplo.

Por conseguinte, o representante da diplomacia djibutiana, ao realizar a sua intervenção, reafirmou a posição de seu país a favor da causa e da luta palestina – que busca retomar os seus respectivos direitos e instituir seu estado independente. Nesse sentido, Youssouf chamou a atenção para a necessidade de se valer da “Iniciativa Árabe de Paz” como meio de solucionar o presente conflito existente entre Israel e Palestina.

Fonte: La Nation – Principal jornal do Djibouti. Fundado logo após a independência do país em 1977.

Disponível em: <https://lanation.dj/djibouti-prend-part-a-la-154e-session-du-conseil-de-la-ligue-des-etats-arabe/>.

Burhan, visita a Eritreia, discute “situação de segurança” com Afwerki

Por Maria Eduarda Souza Satlher em 12/09/2020

Abdel Fattah al-Burhan, Presidente do Conselho Soberano de Transição do Sudão visitou Asmara, capital da Eritreia a fim de discutir com o presidente do país, Isaias Afwerki, a situação de segurança entre suas fronteiras. Anteriormente, as relações entre os estados estavam interrompidas desde fevereiro de 2018, quando os representantes do ex-governo sudanês, afirmou que ações da Eritreia traziam insegurança ao seu país. Segundo eles, a Eritreia reuniu forças perto de suas fronteiras, abrigou membros da oposição sudanesa e incentivou o contrabando de mercadorias do Sudão. Além disso, até especialistas indicaram que grupos islâmicos isolados apoiaram extremistas etíopes para fomentar os conflitos na fronteira. Diante dessas ameaças, o governo sudanês fechou a fronteira dos países, mandando forças militares para impedir a entrada ou saída de qualquer indivíduo ou mercadoria.

Nesse sentido, após a queda do ditador Omar al-Bashir, e a ascensão do governo provisório, que tem como objetivo restaurar a segurança e a paz no Sudão, Burhan visitou Eritreia em junho de 2019, restabelecendo suas relações diplomáticas. Nesta última viagem de al-Burhan à Eritreia, havia uma delegação de militares de alta segurança o acompanhando, indicando preocupação com as tensões, e conflitos na parte leste do Sudão e em Kassala, cidade fronteiriça com o país. Dessa maneira, Burhan e Afwerki discutiram sobre a segurança da fronteira e estratégias que possam reverter a situação no leste do Sudão. Além disso, foram colocados em pauta os desenvolvimentos na Grande Barragem do Renascimento Etíope (Grand Ethiopian Renaissance Dam – GERD), projeto ambicioso da Etiópia que vem sendo conhecido como ‘barragem da discórdia”, uma vez que acarretou em grandes discussões e disputas na região. Vale ressaltar, também, o sucesso que o governo provisório do Sudão teve ao negociar e fechar acordos de paz com movimentos armados das cidades de Darfur, Kordofan do Sul e Nilo Azul, indicando, assim, avanço nos objetivos de estabilizar e reestruturar a região oriental do país. 

Fonte: Asharq Al-Awsat – Principal jornal diário pan-árabe do mundo.

Disponível em: <https://english.aawsat.com/home/article/2494831/burhan-visits-eritrea-discusses-security-situation-afwerki>.

Etiópia barra a presença de jornalistas nas eleições de Tigré

Por Juliana Rossi em 12/09/2020

Autoridades da Etiópia removeram forçadamente jornalistas que estavam a caminho de Tigré, para cobrir as eleições controversas na província.  O governo federal alega que não há uma razão suficiente para a cobertura das eleições, pois são consideradas ilegais e inconstitucionais pelo parlamento, já que decidiram adiar as eleições nacionais até março de 2021, devido à pandemia e para estender o mandato do Primeiro Ministro Abiy Ahmed´s. As medidas tomadas em frente aos jornalistas que estavam no aeroporto a caminho da região foram confiscação de documentos e equipamentos eletrônicos, além de cancelar os voos para Tigré.

Em contrapartida, o governo de Tigré advertiu que qualquer ação para impedir a votação seria considerada uma “declaração de guerra”. O primeiro-ministro já descartou intervenção militar na região,  mas há temores de que quaisquer medidas punitivas do governo irão aumentar as tensões locais ainda mais.  Vale ressaltar que Tigré é a segunda região mais populosa da África e tem dominado a política do país desde 1991, com a retirada do governo comunista de Derg no poder.

O CPJ, Comitê de Proteção de Jornalistas, fez uma nota solicitando a devolução dos pertences e documentos confiscados e que parassem de intimidar jornalistas, pois não há nenhuma lei que impeça jornalistas de exercerem sua função nesses eventos e que o governo estaria agindo fora da lei. Além disso, ressaltaram que não é a primeira vez que a Etiópia tem a postura de repressão diante da imprensa.

Fonte: The East African –  Principal jornal da África Oriental do mundo.

Disponível em: <https://www.theeastafrican.co.ke/tea/news/rest-of-africa/ethiopia-bars-journalists-from-tigray-elections–1934330

Sudão declara emergência econômica após queda da moeda

Por Isadora Marinho em 13/09/2020

A moeda do país já sofreu quatro desvalorizações desde 2018, porém nas últimas semanas a libra sudanesa, a moeda vigente no país, sofreu uma significativa queda devido a uma manipulação feita por membros da oposição, de acordo com o que afirmaram oficiais do governo. Então, a declaração de que o Estado estaria em uma emergência econômica foi feita nesta quinta-feira, 10 de setembro de 2020. Somado a isso, houve a criminalização da compra, venda, posse ou contrabando de ouro e de outros materiais  preciosos, que será combatida por tibunais especiais criados para realização dessa atividade específica e de algumas outras relacionadas. Dessa forma, uma outra medida que será implementada é o monitoramento de fronteiras de forma mais intensificada, para evitar o contrabando das mercadorias. Por ser um Estado rico em jazidas de ouro, em junho, tentou-se abrir esse mercado para atrair investidores do setor privado, o que permitiria que o comércio não fosse exclusivamente estatal e também que facilitasse as exportações. Entretanto, o que as autoridades notaram foi que os metais preciosos estavam sendo vendidos com preço acima daquele utilizado no mercado, de forma que a taxa de câmbio fosse propositalmente alterada. Dada a situação, a atual ministra das Finanças, Hiba Mohammed Ali, declarou que o ocorrido é uma tentativa de vandalizar a economia e pressionar o governo, mas também que eles não seriam complacentes com a situação. Anteriormente, já foram feitas tentativas para reprimir a comercialização através do mercado negro, mas elas foram pouco eficazes. No presente momento, a inflação no Sudão está atrás somente da Venezuela.

Fonte: Al Jazeera

Disponível em: <https://www.aljazeera.com/ajimpact/sudan-declares-economic-emergency-currency-plunges-200911025810421.html&gt;.


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