Clipping Chifre da África #70

Festividades religiosas na Etiópia são afetadas por obra local e por surto de COVID-19

Por Júlia Oliveira em 30/09/2020

Um evento religioso importante para a Etiópia, que normalmente é celebrado por milhares de pessoas carregando velas acesas e vestidas com roupas de igrejas brancas a cada dois anos, foi afetado pelo surto de COVID-19 na região e por um projeto de construção na Praça Meskel, onde a cerimônia geralmente ocorre. O encontro é usualmente comemorado com a presença de uma fogueira, a Demera, para homenagear, segundo o que é ensinado pela Igreja Ortodoxa Etíope Tewahedo, o encontro da cruz em que Jesus Cristo foi crucificado. No entanto, este ano a fogueira ficou isolada e cercada por alguns seguranças uniformizados.

A obra em andamento no local se refere a uma reforma de cerca de 2,5 bilhões de libras da Praça e à construção de um estacionamento no local. No entanto, diferentemente do que foi prometido por autoridades locais de que o projeto seria concluído em quatro meses e que o local estaria disponível para as celebrações de Meskel, o que ocorreu, na verdade, foi que apenas algumas partes seriam disponibilizadas para o evento. Sendo assim, a Demera e os hinos ocorreram sem os famosos degraus em formato de meia-lua que compõem parte da Praça. Ademais, a investida de impor regras de distanciamento físico fez com que os membros dos corais da igreja fossem colocados em filas com intervalos para o evento.

Ainda, um fator que pode ser considerado como o mais importante para as extravagantes comemorações de Meskel e que se caracteriza como uma grande atração turística local, considerada pela UNESCO como um patrimônio cultural imaterial, foi a falta dos fiéis que deveriam ter ido à Praça a partir do meio-dia. No lugar destes fiéis, encontravam-se seguranças, membros do coro da Igreja, funcionários da mídia, o Patriarca Abune Mathias, o vice-prefeito Adanech Abiebie e o presidente Sahle-Work Zewde.

Fonte: Addis Fortune – Jornal privado e independente da Etiópia, com sede na capital Addis Abeba.

Disponível em: <https://addisfortune.news/muted-mesqel/>.

Sudão discute paz árabe-israelense com autoridades estadunidenses

Por Ana Carolina Diniz Paiva em 23/09/2020

Durante encontro entre a delegação sudanesa e autoridades estadunidenses nos Emirados Árabes Unidos, foi discutida a estabilização da região e uma possível solução para a questão Israel-Palestina por meio da paz. Outras questões, como a remoção do Sudão de uma lista feita pelos Estados Unidos contendo “patrocinadores estatais do terrorismo”, também foram discutidas. O Sudão alega que fazer parte desta lista é prejudicial à sua capacidade de enfrentar crises econômicas, pois dificulta seu acesso a empréstimos estrangeiros.

O conselho sudanês manteve a seriedade durante toda a conversa, enfatizando que a paz árabe-israelense poderia levar à “estabilidade na região e preservaria o direito do povo palestino de estabelecer seu Estado de acordo com a visão de uma solução de dois Estados”. Ainda pensando na estabilidade da região, ambas as partes discutiram a importância e o papel que o Sudão deve desempenhar para ajudar a alcançar esse objetivo. Ademais, as relações entre Sudão e Israel também foram trazidas ao debate, uma vez que a relação entre os dois países nem sempre foi marcada por momentos amigáveis. 

Fonte: Aljazeera

Disponível em: <https://www.aljazeera.com/news/2020/9/23/sudan-discusses-arab-israeli-peace-with-us-officials

Sudão do Sul: Estados Unidos anuncia nova assistência humanitária em resposta à crise do país africano.

Por Ruth Amaral, 25 de setembro de 2020

Em um comunicado à imprensa, o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Michael R. Pompeo, anunciou no dia 24 de setembro, após uma reunião de Alto Nível da Assembléia Geral da ONU, uma assistência humanitária de mais de 108 milhões de dólares para o Sudão do Sul e países vizinhos. Esse financiamento inclui 97 milhões provindos da Agência de População, Refugiados e Migração do Departamento de Estado e mais de US $ 11 milhões da Agência de Assistência Humanitária da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional

Chuvas fortes, combates entre grupos armados, insegurança alimentar, uma situação econômica em deterioração e a pandemia de COVID-19 agravaram a pré-existente  crise humanitária no Sudão do Sul. O secretário afirma que com esse financiamento o país poderá ter acesso a assistência alimentar de emergência, serviços de saúde, acesso à água potável e saneamento e assistência a sobreviventes de violência de gênero no Sudão do Sul. 

Pompeo ainda reitera que os Estados Unidos é o maior doador de assistência humanitária individual do Sudão do Sul e do mundo. Em parceria com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), eles realizaram atividades que auxiliaram no salvamento de aproximadamente 2,2 milhões de refugiados do Sudão do Sul em países vizinhos.

Fonte: All Africa –  Plataforma multicanal pan-africana independente que distribui notícias e informações de mais 140 organizações globais sobre a África. 

Disponível em: <https://allafrica.com/stories/202009250795.html>

Membros do governo do Sudão do Sul desviam 36 milhões de dólares

Por Isadora Marinho em 25/09/2020

Segundo relatório realizado pela Comissão dos Direitos Humanos da ONU, foi declarado que políticos e burocratas de alto escalão do governo sul-sudanês estavam envolvidos no desvio de cerca de US$36 milhões de fundos públicos. A responsável pelo relatório, Yasmin Sooka, afirma que o crime teve origem nos ministérios das Finanças e Planejamento Econômico e da Autoridade Tributária Nacional, em colaboração com corporações internacionais e bancos multinacionais. Ainda acrescentou que essa pode não ser a quantia total desviada, além de que a lavagem de dinheiro utilizada para ocultar o crime foi feita a partir de compra de propriedades no exterior. O relatório do CDH foi publicado 6 dias após o presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, ter demitido o ministro das finanças, o chefe da Autoridade da Receita Nacional e também o diretor da estatal petrolífera Nile Petroleum Corporation. Ademais, a demissão dos funcionários foi feita logo após uma queda nas reservas de moeda estrangeiras do Sudão do Sul, o que também provocou uma desvalorização de 37% da moeda vigente no país em relação ao dólar. É importante ressaltar que hoje o Sudão do Sul está tentando se recuperar da Guerra Civil Sul-Sudanesa, um conflito civil que durou aproximadamente 6 anos e teve seu fim em fevereiro deste ano. Durante a guerra, houve a morte de 360 mil pessoas e foram causados danos no setor petrolífero, o qual representa 90% do PIB do país. Diante de toda essa situação, Yasmim Sokka declarou que os crimes de corrupção financeira não são consequências da guerra que ocorreu, mas a sua causa e os abusos sofridos pela população são o efeito colateral. 

Fonte: Al Jazeera

Disponível em: <https://www.aljazeera.com/news/2020/9/23/south-sudan-government-figures-embezzled-36mn-un-panel>.

Ferrovia Etio-Djibouti jura que irá reverter perdas

Por Larissa Cimini em 29/09

A Ferrovia Etio-Djibouti funciona com dois pares de trens de carga por dia, e está se preparando para dobrar este número até novembro. Espera-se que o esforço gere 100 milhões de dólares por ano, para arcar com os custos operacionais de 70 milhões, e que em 3 anos chegue a seis pares de trens, para uma receita de 150 milhões. A ferrovia foi financiada em 70% por um banco chinês e construída por empresas chinesas. Em troca, elas administram a ferrovia e recebem uma taxa anual de 60 milhões de dólares. Grande parte das mercadorias transportadas ao longo deste ano são fertilizantes e grãos, e o gerente da filial na Etiópia da Corporação Chinesa de Construção em Engenharia Civil afirma que o transporte das commodities agrícolas é eficiente. Porém, está programada uma construção importante que permitirá transporte de combustível. Agora, são enfrentados obstáculos para cumprir as metas, como abastecimentos insustentáveis de energia elétrica e água, colisões de trens com animais, furtos nas instalações e ataques a trens.

A Ministra do Transporte, Dagmawit Moges, afirma que trabalhará para facilitar a logística e as questões alfandegárias, o que impactaria positivamente na importação de matéria-prima e exportação de mercadorias. Contudo, Abebe Dinku, professor e especialista em engenharia civil na Universidade de Addis Abeba (capital da Etiópia), faz uma ressalva. Apesar da notícia emocionante, é importante investir em recursos humanos, tecnologias, máquinas e equipamentos para um serviço eficiente.

Fonte: Addis Fortune – Jornal privado e independente da Etiópia, com sede na capital Addis Abeba.

Disponível em: < https://addisfortune.news/ethio-djibouti-railway-vows-to-reverse-losses/&gt;.


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