Clipping África Ocidental #128

“As feridas da arte” de Oumou Ahmar Traore: a caneta contra a violência direcionada a mulheres e meninas

13/10/2022

Por Júlia Carvalho Teixeira

A violência contra mulheres e crianças ocorrida no Mali, desde o ano de 2015, é um problema trágico e dolorido testemunhado por Cissé Oumou Ahmar Traoré. Diante de um cenário de recorrente violência doméstica, como atos de estupros, abusos e violências físicas, a autora se propôs a lutar por essa causa através da escrita. No livro intitulado “As feridas da arte”, Cissé Oumou Ahmar Traoré discorre sobre as práticas de violência que considera inaceitáveis na sociedade em que vive.

Segundo a autora, a violência doméstica contra as mulheres no Mali é algo “normalizado” entre os indivíduos, de forma que pequenos e sutis insultos cotidianos se transformam em grandes atrocidades. Essa ofensa às mulheres é reproduzida por meio de músicas, textos, jargões, e se manifesta através da violência física contra esses indivíduos. Nesse sentido, essa violência ocorre estruturalmente e continuamente na sociedade maliana, diminuindo as vozes das mulheres na luta pela sua sobrevivência. Assim, Cissé Oumou Ahmar Traoré utilizou sua escrita como instrumento de denúncia dessa realidade, sistematizando e expondo esses fatos em seu livro. No relato, ela convida autoridades a repensarem seus papéis na manutenção da segurança das mulheres no Mali, além de trazer foco para a necessidade da criação de instituições e regras que reprimam e condenem os responsáveis por esses atos no país.

A Ministra da Promoção da Mulher, da Criança e da Família, Wadidié Founè Coulibaly, e o Ministro do Artesanato, Cultura, Hotelaria e Turismo, Andogoly Guindo, conduziram a cerimônia de lançamento do livro no Museu Nacional de Bamako, ocorrida no dia 06 de outubro de 2022.

Fonte: Abamako

Pena de morte é abolida na Republica Centro Africana

28/05/2022

Por Guilherme Gomes Aquino

Apesar da última aplicação da pena de morte como punição na República Centro Africana ter acontecido em 1981, a lei de abolição dessa prática só foi aprovada no dia 27 de maio de 2022. O país que enfrenta uma guerra civil desde 2013 conseguiu um grande avanço no âmbito dos direitos humanos com a aprovação da lei se tornando o 24° país do continente africano a se livrar dessa prática. Em 2018 o Papa Franscisco disse que “a pena de morte é inadimissivel porque ataca a inviolabilidade e a dignidade da pessoa”. Mesmo o país sendo um dos mais pobres do mundo esse avanço é de significativa importância para todo mundo, mostra ate para paises bem desenvolvidos que a pena de morte nunca é o caminho para quem busca dignidade humana. A posição do chefe da igreja católica demonstra que o mundo todo deveria estar ao lado do combate dessa prática.

A ONU na figura da alta comissária  para direitos humanos Michelle Bachelet afirma que “seu escritório continuará a apoiar a República Centro Africana em seus esforços para a abolição total da pena.” É parabeniza o pais pelo avanço, mostrando assim o compromisso da organização com o combate a pena de morte no mundo.

A distancia da ultima vez que a pena de morte foi praticada no pais para a aprovação da lei se justifica pela implementação da moratória sobre pena de morte que estava em vigor de 1981, que consiste em uma suspensão imediata da pratica, e não abolição. A lei agora precisa ser sancionada pelo presidente Faustin-Archange Touadéra.

Fonte: Vatican News

Museus dos EUA devolvem tesouros saqueados à Nigéria

14/10/2022

Por Mariana Zica

Foi anunciado na terça-feira, dia 11 de outubro, que diversos museus americanos como a Galeria Nacional de Arte (NGA), o Museu Nacional de Arte Africana do Instituto Smithsonian e o Museu da Escola de Design de Rhode Island (RISD) irão devolver 31 artes que foram obtidas de forma, se não ilegal, ao menos antiéticas durante século XIX. Dentre essas obras está uma escultura de bronze de um galo, em que a decisão da sua devolução já havia sido feita em 2020.

Boa parte dessas obras foram obtidas por britânicos, fossem mercadores que trabalhavam na Nigéria ou tropas que invadiram o palácio do antigo reino de Benin, que hoje é a atual Nigéria. Ao longo dos anos, seja por doações ou pela compra, os museus estadunidenses obtiveram boa parte desses artefatos.

Os representantes dos museus responsáveis pela devolução desses 31 artefatos estão esperançosos de que essas ações de restituição das obras aos países saqueados continuem ocorrendo, haja vista que mais de 10 mil artefatos foram roubados da Nigéria no século XIX. Ademais, essa prática de saqueamento de obras de arte da Nigéria era uma prática comum durante o período colonial, demonstrando que o interesse da Nigéria é reaver o máximo possível desses artefatos culturais que foram roubados e que fazem parte de sua história. Além disso, no que tange às relações entre instituições culturais estadunidenses com a Nigéria houve uma aproximação e melhora dessas relações, incluindo a possibilidade de futuras exibições conjuntas dessas artes chamadas de bronze de Benin.

A decisão da devolução desses artefatos está relacionada a uma questão ética. Isso porque, embora não seja ilegal que esses museus tenham posse das obras, é no mínimo antiético que artes roubadas por colonizadores sejam expostas nesses países e não devolvidas aos seus locais de origem, tendo em vista a importância histórica que possuem para a Nigéria. Assim, a partir desses exemplos, artistas nigerianos e autoridades desse país puderam questionar os demais museus que possuem esses artefatos saqueados se querem continuar expondo-os baseado apenas na permissibilidade da lei ou se irão agir de forma ética e devolver as artes. 

Fonte: CNN

O presidente Bio deve permitir que as famílias dos mortos a tiros pela polícia em 10 de agosto enterrem seus entes queridos

16/10/2022

Por Bruna Luíza de Souza Nébias

Há pedidos por parte da população de Serra Leoa para que o presidente respeite o direito dos familiares de enterrarem seus respectivos parentes mortos na execução planejada pelo Estado durante as manifestações de rua no dia 10 de agosto em Freetown.

O governo de Serra Leoa desconsiderou os pedidos de autópsias para avaliar as causas das mortes dos manifestantes. Entretanto, segundo o Sierra Telegraph muitos foram vítimas de ferimentos de bala em várias regiões do corpo.

Desde o assassinato dos 26 manifestantes desarmados, o governo ignorou os pedidos de autópsias e inquéritos para determinar a causa da morte de cada um dos mortos, muitos dos quais segundo o Sierra Leone Telegraph sofreram ferimentos de bala no peito, nas costas da cabeça e do estômago. Dentre as vítimas envolvidas, é possível citar o principal ativista do partido de oposição Sansão, o qual foi morto em um tiroteio entre um grupo de jovens armados e soldados.

Fonte: The Sierra Leone Telegraph

Chade declara estado de emergência após as inundações no país afetarem mais de um milhão de pessoas

20/10/2022

Por Diogo Procópio Spadotto

O período de maio a outubro é marcado por uma significativa estação chuvosa na região onde se encontra o Chade e alguns outros países que compartilham dos mesmos rios e afluentes. Portanto, inundações devido ao grande volume das águas e às precarizações na infraestrutura são bem comuns tanto no Chade quanto em seus países vizinhos. Esse ano, as chuvas foram as mais fortes em décadas e chegaram mais cedo do que o esperado, afetando mais de um milhão de cidadãos somente no Chade. Além disso, países como Níger, Nigéria e Camarões também foram impactados, deixando milhares de desabrigados.

O presidente do Chade, Mahamat Idriss Deby, declarou estado de emergência devido à situação, o que tem feito com que o governo então caminhe com um plano de contenção de danos, fornecendo abrigo, comida e saneamento para a população desabrigada. Nas palavras do presidente: “a partir de agora, um estado de emergência será instituído para melhor conter e gerenciar esse desastre natural”. Até o momento, a água das inundações já afetou mais de 600 localidades e danificou principalmente as províncias de Mayo Kebbi Est, Logone Occidental, Tandjile, Moyen-Chari e Mandou, chegando também à capital N’Djamena. No total, as águas engoliram mais de 1,5 milhão de acres de campo e 19.000 cabeças de gado.

De acordo com a Organização das Nações Unidades, pelo menos um terço dos chadianos passam por insegurança alimentar e por outros problemas associados às inundações, carecendo de ajuda humanitária de emergência, ao mesmo tempo que, segundo o Banco Mundial,  quase metade da população vive na linha da pobreza. 

Fonte: Aljazeera

Especialista expõe que cerca de 19% das superfícies da Guiné-Bissau pode ser submergida pelo mar

27/10/2022

Por Mariana Albuquerque

O doutor Morto Baiém Fandé, autor do livro “Risco e Adaptação Costeira às Alterações Climáticas – Estudos de caso na Guiné-Bissau”, avaliou que, em 2050, cerca de 19% das superfícies de Bissau poderá ser submergida pelo mar.

“Eu trabalhei a questão da inundação de origem marítima, usando o cenário da subida de nível do mar. Constatei que à medida que o nível do mar vai se elevando, mais parte da terra seca vai ficar inundada. Por exemplo, em Bissau, que é uma área de baixa altitude, teremos daqui a 2050 cerca de 19% da superfície de Bissau em risco de inundação. E isto é muito, se pensarmos, por exemplo, nas construções que estão a ser feitas nas zonas de baixa altitude. Isto pode acarretar problemas sociais, por exemplo, em certas zonas teremos que ter que realojar as pessoas, realocar atividades agrícolas e industriais. Tudo isso coloca o país em risco”. Pontuou o doutor no lançamento de seu primeiro livro.

Fonte: O Democrata

Mais de um milhão de pessoas enfrentam fome severa em Serra Leoa

15/10/2022

Por Victor Motta

Mediante ao aumento da crise alimentar no mundo, o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PAM) alertou um pedido de ação de emergência para abordar a raiz das causas, antes do Dia Mundial da Alimentação, no dia 16 de outubro. Estamos enfrentando uma crise alimentar global sem precedentes e todos os sinais sugerem que ainda não vimos o pior. Nos últimos três anos, os números da fome atingiram repetidamente novos picos. “Deixe-me ser claro: as coisas podem e vão piorar a menos que haja um esforço coordenado e em grande escala para abordar as causas profundas desta crise. Não podemos ter mais um ano de fome recorde”, disse o Diretor Executivo do PMA, David Beasley.

Fonte: The Sierra Leone Telegraph

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