Clipping África Ocidental #130

Grave crise alimentar global atinge vários países africanos, em Serra Leoa milhões passam fome

15/10/2022

Por Diogo Procópio Spadotto

De acordo com dados recentes divulgados pelo PAM (Programa Alimentar Mundial), a crise alimentar global no ano de 2022 está se agravando, tomando proporções para um possível ano recorde de fome e insegurança alimentar. O Programa Mundial de Alimentos é filiado às Nações Unidas e tem o objetivo principal de combater a fome, sendo uma das maiores agências humanitárias do mundo, fornecendo alimentos e ajuda a mais de 90 milhões de pessoas em estado de vulnerabilidade, em mais de 80 países.

Devido a aproximação do Dia Mundial da Alimentação, no dia 16 de outubro, o diretor executivo do PAM, David Beasley, fez um pronunciamento enfatizando e alertando sobre as proporções que a crise está tomando, em suas palavras: “As coisas podem e vão piorar a menos que haja um esforço coordenado e em grande escala para abordar as causas profundas desta crise, nós não podemos ter mais um ano de fome recorde”.

Particularmente, em Serra Leoa, foi redigida uma análise recente sobre o nível de insegurança alimentar no país, em que o Ministério da Agricultura em colaboração com o PAM contabilizaram que, dentre a população de pouco mais de 7 milhões de indivíduos, 4,7 milhões de pessoas (66%) estão em insegurança alimentar, enquanto outros 15% da população passam fome, totalizando mais de um milhão de pessoas tendo que sobreviver com menos de 2 dólares por dia.

A crise alimentar global enfrentada hoje em dia, em sua maioria pelos países africanos, é resultado de um conjunto de outras crises concorrentes que também afetam todo o sistema internacional, devido ao número excessivo de conflitos e a instabilidade econômica global. A confluência de crises como a pandemia de Covid-19, catástrofes climáticas na Europa e a guerra entre Rússia e Ucrânia afetam diretamente na produção e distribuição de alimentos mundial, assim agravando a situação de nações que já sofriam com a fome e colocando outras no mapa da insegurança alimentar. Visto isso, o Sistema de Monitoramento da Segurança Alimentar utilizado pelo PAM aponta que a repercussão da crise na Ucrânia levou a um aumento significativo no preço dos alimentos, provocando que a grande maioria das famílias está gastando mais de ¾ de sua renda em alimentos.

De acordo com o tema para o dia mundial da alimentação este ano, “Ninguém fica para trás”, o PAM tenta levantar esforços para evitar uma crise alimentar ainda pior em 2023. Dessa forma, é importante nesse momento a coordenação entre governos e instituições para reforçar economias nacionais e sistemas de proteção social e alimentar nas regiões mais afetadas.

Fonte: The Sierra Leone

Chefe da missão da ONU no Mali pede recursos para continuar com as ações

24/10/2022

Por Antonia Pontes

No dia 24 de outubro de 2022, o chefe da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para Estabilização do Mali (MINUSMA), El Ghassim Wane, clama ao Conselho de Segurança a disponibilização dos meios necessários para manter a operação. O pedido foi feito um dia após a morte de quatro soldados da missão, os quais foram atingidos por um “dispositivo explosivo improvisado”. El Ghassim aponta para a situação de segurança volátil em diversos pontos do Mali como a responsável pela dificuldade que a operação vem enfrentando para ser mais eficaz, levando a “uma situação de segurança, humanitária e de direitos humanos muito difícil”. O secretário das Nações Unidas, António Guterres, destacou em relatório que a MINUSMA sofre com a restrição de movimento e acesso como resultado das campanhas de desinformação que circulam no país, bem como dos posicionamentos e imposições feitas por autoridades do Mali. Em resposta, o ministro das Relações Exteriores do Mali, Abdoulaye Dio, nega que o país esteja dificultando o andamento da missão e que está apenas reforçando a soberania. A MINUSMA foi estendida até junho de 2023 e atualmente conta com uma força de 13.289 soldados e 1.920 policiais.

Fonte: Africa News

Reflorestamento da rodovia Ila Touba: Alioune Ndoye lança a obra

28/10/2022

Por Júlia Carvalho Teixeira

O presidente do Senegal, Macky Sall, contribuiu para o programa “Grandes programas de infra-estrutura rodoviária” com a construção de uma rodovia que liga as cidades de Thiès e Touba, totalizando 113 km de infraestrutura rodoviária para o auxílio da conexão entre as cidades. Celebrando a iniciativa do presidente e em comemoração ao Dia da Árvore, o Ministro do Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Transição Ecológica de Senegal, Alioune Ndoye, propôs a implementação de obras de reflorestamento ao redor da rodovia em 09 de agosto de 2020.

A fim de construir os caminhos necessários para a obra, diversas movimentações foram realizadas tendo em vista a concretização dessa ideia. O projeto de reflorestamento foi pensado juntamente com a Agência Senegalesa de Reflorestação e Grande Muralha Verde (Asergmv) e com o Departamento de Águas e Florestas, Caça e Conservação do Solo (Defccs). Em gratidão, o Ministro do Meio Ambiente lançou o “Ndindi-Péage Touba”, plano para ampliar a segurança e ecologia das estradas construídas, que teve início no dia 25 de outubro de 2022.

A preocupação com o meio ambiente é um aspecto relevante na delimitação do programa, uma vez que as autoridades reconhecem a importância de atenuar os efeitos dos gases de efeito estufa que serão produzidos com a utilização dos carros. Além disso, a plantação de árvores ao redor da estrada permitirá a conservação do solo e dos recursos naturais presentes no ecossistema ao redor da estrada. A extensão total da área reflorestada compreende cerca de 226 km, sendo apenas o início para uma transição ecológica no Senegal.

Fonte: Le Quotidien

Julgamento dá esperança de justiça a sobreviventes de massacre em estádio na Guiné

24/10/2022

Por Marian Zica

Em 2009, em meio a uma forte crise política e um golpe que tomou o governo na Guiné, houve, durante o “governo transitório” do presidente Dadis Camara um massacre em um estádio. Isso porque, houveram manifestações pacíficas criticando o golpe que ocorreu na Guiné, devido ao fato do então presidente do governo transitório ter se candidatado a presidente, demonstrando que possivelmente haveria uma continuação desse golpe. 

No entanto, a mando de Câmara, possivelmente, militares do exército reprimiram o protesto no estádio, causando um massacre, pois mataram no mínimo 150 pessoas, além de agirem com extrema violência, principalmente estrupando diversos protestantes.  

O assunto estupro, principalmente nesse país, é um tabu e inclusive motivo de extrema vergonha. Com isso, além da violência física sofrida, as mulheres tiveram que lidar com uma violência psicológica inclusive de seus familiares. Além disso, diversos maridos se divorciaram de  suas esposas que foram estupradas por considerarem vergonhoso o que aconteceu e sentirem vergonha de continuarem com o relacionamento.

No que tange a tutela do Estado acerca do crime de estupro, houveram avanços devido a pressoes populares, no entanto ainda é um assunto muito difícil e a impunidade quanto a esse crime é extremamente alta. Um dos motivos é que a mulher estuprada, ao apresentar a notícia crime é obrigada a mostrar um laudo que comprove que ela foi violentada, não sendo o Estado o responsável por colher essa informação com respeito e cuidado. É principalmente devido à necessidade de melhorias no que tange a justiça e apuração desse crime que é de extrema importância o julgamento dos responsáveis pelo massacre para todo o país.

Após 13 anos de faltas de ação acerca do massacre, os indivíduos que foram denunciados foram levados a julgamento principalmente por darem ordens quanto ao massacre. O então presidente Câmara, disse que a culpa é exclusiva das forças armadas. No entanto, de acordo com dados coletados por ONGs, o ex-presidente comandou ou consentiu os atos de violência que ocorreram em 2009. 

O julgamento vem ocorrendo mediante a apresentação de provas documentais e testemunhais para condenar aqueles que foram culpados e garantir a justiça às vítimas do massacre. Além de ser de extrema importância o resultado para futuras politicas publicas, principalmente no que tange a proteção das mulheres e maior rigor na apuração dos crimes de estupro. 

Fonte: Aljazeera

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